Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2018

Curiosidades linguísticas - Rostrum

As palavras têm uma história, umas mais interessantes, outras menos... Rostrum era a palavra que designava o bico da ave — daí passou a designar também alguns objectos com a forma de bico, como “ esporão de navio”, “ponta da relha do arado”... Sendo uma palavra do género neutro, no plural é rostra. No Forum Romanum tinha o nome de   ROSTRA a tribuna de onde os oradores falavam ao povo porque estava ornamentada com os esporões ( rostra “as proas”) de bronze dos navios tomados ao inimigo na batalha de Âncio, no ano 338 a.C., durante a Guerra Latina. Coluna rostrata era uma coluna ornamentada com esporões — uma foi erigida no comitium em honra de  Duílio, o cônsul que venceu os Cartagineses numa batalha naval durante a 1ª Guerra Púnica. Também foi instituído um prémio pela captura de navios aos inimigos — era uma corona rostrata (uma coroa rostrata) enfeitada com pequenos esporões. Da ideia de “bico de pássaro”, r ostrum passou a designar também o focinho de qualquer anim...

Cultura Clássica em alta?

Estará a cultura clássica a ter, finalmente, a valorização que lhe é devida? Há, pelo menos, alguns sinais positivos. O exame nacional de 9º ano da disciplina de Português traz bons augúrios para a cultura greco-romana e para o conhecimento do nosso passado histórico. Vejamos: A prova é constituída por 4 grupos de questões. — No I Grupo, para testar a compreensão oral, o aluno tinha de  ouvir um texto informativo sobre o Templo Romano de Évora para depois responder a questões sobre o que ouviu. — O II Grupo é constituído por 3 textos.      - O texto A, extraído da obra pubicada na Faculdade de Letras de Coimbra “Espaços e Paisagens. Antiguidade Clássica e Herança Contemporânea”, fala dos monumentos da Antiguidade, destacando que já “na Grécia antiga, a experiência do turismo surge, desde os primórdios, associada à religião e ao património artístico e arquitetónico”, o que se comprova pelos textos dos autores da literatura grega e latina, que podem ser conside...

VALORIZAR A MEMÓRIA

Memória: palavra muito “fora de moda” neste mundo tecnológico, ligada mais à máquina do que à pessoa, numa crença errónea de que não é preciso memorizar quando o computador memoriza tudo, quando na internet há toda a informação... O texto que se apresenta foi publicado no Boletim de Estudos Clássicos , nº 24, em Dezembro de 1995. Muitos anos se passaram, mas poderia ter sido escrito hoje. Pela sua actualidade, transcreve-se, com algumas supressões: (Re)valorizar a Memória Breve reflexão pedagógico-didáctica Não vamos, de novo, discutir o problema da importância do latim e da cultura clássica num mundo virado para a tecnologia, que, no entanto, começa, lentamente, a valorizar as questões humanísticas, depois de ter concluído que não é possível a máquina substituir o homem, que uma "tecnologia desumanizada" levaria ao caos, ao desconforto moral, ao apagamento daquilo que é essencial a uma vida plenamente realizada: as emoções, os sentimentos, a relação humana. E é essa relação ...

Sobre didáctica das Línguas Clássicas

 Língua e cultura, a inter-relação indispensável Questões de didáctica da língua latina * Retomemos a "velha" questão do estudo da língua e do estudo da cultura, isto é, das questões linguísticas tratadas independentemente das questões culturais ou da inter-ligação de todas estas questões — as linguísticas e as culturais. A língua é, em primeiro lugar, comunicação, relação interpessoal, mas é também, e ao mesmo tempo, veículo de transmissão de uma cultura. Estudamos uma língua para podermos comunicar através dela, para podermos compreender o povo que a fala, para compreendermos os textos, para lermos as obras que usam esse código linguístico. Ora, se estudamos a língua enquanto elemento de cultura, então podemos perguntar se é possível separar os dois campos e estudar um sem estudar o outro. A língua é a expressão de um povo, só através dela se pode chegar ao conhecimento da cultura desse povo, do povo que a fala ou a falou. Mesmo falando a mesma língua, isto é usando o mesm...

Curiosidades linguísticas

Um anúncio de tratamento da calvície chamou-me a atenção para a palavra: alopécia , a queda do cabelo, por causas diversas. Curiosa a sua etimologia! Do grego ἀλώπηξ, ἀλώπεκος   que significa "raposa", (daí ἀλωπεκία ) chegou ao português através do latim alopex, alopecis "raposa" e alopecia com o significado de "queda dos cabelos e da barba" formando daí o português alopécia (seguindo a acentuação latina). A origem parece estar relacionada com o facto de a raposa ser um animal muito dado à queda do pêlo.