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"O assassinato de Sócrates" de Marcos Chicot

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“Tal como os clássicos perderam o seu modelo de civilização, hoje podemos nós também perdê-lo” A frase é do escritor espanhol Marcos Chicot, autor da novela “O assassinato de Sócrates”, em entrevista que pode ser lida  aqui . Admitindo que escreve as suas novelas para dar a conhecer alguma coisa aos leitores, ele que já é autor de outras obras, de que se destaca "O assassinato de Pitágoras", declara a sua admiração pela Grécia clássica: “É uma época fascinante. É uma espécie de milagre, em muito pouco tempo num lugar muito concreto, produziu-se uma explosão prodigiosa nos campos principais do saber, da cultura, do pensamento e em muitos dos campos que consideramos a base da nossa civilização.” Mas, acrescenta: “Aquela civilização de quase dois mil e quinhentos anos é a mais parecida com a nossa. E isso tem que fazer-nos pensar que, tal como os clássicos perderam o seu modelo, hoje podemos perdê-lo nós.” Sobre o seu último livro e o seu apreço por Sócrates: “Todos os ensiname...

Estudar as Línguas Clássicas - 3

Neste início de ano lectivo, cumpre-nos reflectir, uma vez mais, sobre a escola que temos, a escola que queremos, a escola que devíamos ter.   Deve a escola preocupar-se, apenas, com a preparação do jovem para o mundo do trabalho? É essa a sua função? Ou cumpre-lhe preparar um cidadão integral, crítico e responsável, capaz de discernir por si nas mais variadas situações, um cidadão que não se deixa manipular por uma sociedade toda virada para o presente imediato, para o utilitário e vantajoso, para o financeiramente lucrativo?   O escritor e jornalista espanhol Arturo Pérez-Reverte, numa crónica com o sugestivo título “Demasiado lejos de Troya”, publicada na revista XLSemanal de 24 de Setembro, e que pode ser lida aqui , comenta o estudo das línguas clássicas no seu país, lamentando as sucessivas leis sobre ensino que conduziram ao actual estado de abandono de um conhecimento essencial.   No seu pais como no nosso (aliás, em Portugal a situação é muito pior...) o estudo da cultura clá...

Estudar as Línguas Clássicas - 2

Outro grande defensor das Humanidades e das Línguas Clássicas, o espanhol Carlos García Gual, numa conferência de lançamento do seu último livro ("Figuras con paisajes griegos: sendas entre mitos y novelas") incita à luta sem tréguas na defesa das Humanidades tão abandonadas nos dias de hoje. Trata-se de uma batalha em defesa da cultura e da educação — afirma. Notícias a consultar  aqui e  aqui . "Não se trata de negar a tecnologia que abunda hoje em dia, mas nem por isso se devem esquecer os conhecimentos clássicos". "A literatura e o amor aos clássicos oferecem horizontes de liberdade."

Estudar as Línguas Clássicas - 1

" Rapazes, a internet não basta, para conhecer o mundo é preciso o Latim"   Assim começa a Carta dirigida aos estudantes por Ivano Dionigi, neste início de ano lectivo (ver notícia aqui ) . Este professor universitário italiano e especialista em estudos clássicos tem sido um dos grandes lutadores na defesa das Humanidades, e das Línguas Clássicas em particular, numa altura em que, por todo o lado, se apregoa uma cultura do imediato, do "útil" no sentido economicista, com base, essencialmente, naquilo que, financeiramente, dá lucro.   "O Latim ensina-te a importância da palavra"   "Nós hoje falamos mal e temos necessidade de uma ecologia linguística"   "Porque as palavras, como as pessoas, têm uma origem, um rosto, uma história"   Estas algumas frases significativas da carta de Iavano Dionigi, ele que defende a importância de estudar a língua de Cícero, salientando que o Latim ensina o valor da comunicação e, sobretudo, o valor do tempo,...

Os clássicos sempre presentes e úteis!

A equipa de Donald Trump anda a ler Tucídides Nunca duvidámos dos ensinamentos dos antigos, especialmente dos Gregos e dos Romanos, mas parece que mesmo para a guerra eles ainda dão lições. Notícia lida aqui . O historiador Graham Allison afirma que poderá estar iminente um confronto bélico entre os Estados Unidos e a China. Apoiando-se em Tucídides e na sua narrativa da Guerra do Peloponeso, G.H. compara Atenas à China e Esparta aos Estados Unidos, avisando para o que poderá acontecer: Esparta sairá vencedora, mas essa vitória custar-lhe-á muito caro... Por isso, na Casa Branca andam a ler Tucídides, excepto Donald Trump que de Gregos, afirma, só conhece aqueles com quem se cruza em Nova Iorque.  

Os mitos e a sua actualidade

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A cultura clássica e a mitologia greco-latina continuam a ser usadas pelos cientistas e pelos estudiosos para designar realidades actuais. Falando de educação, o psicalista italiano Massimo Recalcati apresenta a sua classificação da evolução do sistema educativo. Três modelos: a Escola Édipo : o modelo tradicional e autoritário a Escola Narciso : o modelo actual, errático, com aquilo a que chama “ditadura do prazer”, é a ditadura do neo-liberalismo capitalista a Escola Telémaco : o modelo que começa a emergir, resultante da estirilidade do presente, da insatisfação dos jovens, “o mal-estar actual da juventude não assenta na oposição entre sonho e realidade, mas na ausência de sonhos”; com a falta de uma autoridade paterna e de lei “A juventude sente a falta de referentes éticos, de figuras paterno/maternas renovadas e confiáveis”  

O bicho-da-seda

A origem das palavras — etimologias O bicho-da-seda e a sericicultura Bicho-da-seda : em latim bombyx, bombycis palavra derivada do grego βόμβυξ da raiz de βόμβος que significa “ruído” Daí vem o nome científico bombyx mori [ morus, mori : amoreira ], nome dado à espécie mais comum, usada na produção de fios de seda Este insecto é originário do norte da China, alimenta-se de folhas de amoreira, e foi domesticado há cerca de 3000 anos. Seda — em latim sericum (substantivo) O adjectivo sericus significava “dos Seres ”; de seda Os Seres — designação, para os romanos, de um povo da Índia oriental, ou da China, o povo da seda O historiador Floro [IV, 12] fala da pacificação dos vários povos sob o reinado do imperador Augusto e refere-se a povos que, ainda que independentes, reconhecem a grandeza de Roma e enviam embaixadores, entre eles estão “os Seres, e os Índios que habitavam sob o sol, que trouxeram pedras preciosas e pérolas” Daí o português sericicultura , a cultura da seda e ...

Uma cultura humanística para todos

São muitas as vozes que se levantam, nos vários países da Europa, em defesa da cultura clássica, do estudo do Latim e do Grego nas escolas. A professora italiana Emanuela Andreoni Fontecedro, da Universidade Roma Tre (numa entrevista que pode ser lida  aqui ), defende que: “é necessário reintroduzir os jovens na cultura humanística com o estudo do latim a partir da escola média. De outro modo “os bárbaros” levarão a melhor ." Afirma a professora de literatura latina que desde os anos 80 escreveu muito sobre a necessidade de estudar latim e cultura clássica, mas foi tudo em vão, e daí, declara: “o falhanço da perspectiva educativa deste país, e de outros estados europeus, que renunciaram à sua identidade cultural — fundada no latim e na cultura humanística — está á vista de todos. Não se trata somente de ter traído a própria identidade, mas juntamente com isso ter-se tornado fraco frente às invasões bárbaras (com as quais entendo especialmente o carrocel das idiotices, da maledicê...

Falando de aves e de mitologia grega

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O mocho-galego Ave nocturna muito comum em Portugal, pouco maior que um melro. É fácil de observar porque tem hábitos parcialmente diurnos, pousa em pontos altos e à beira das estradas ( in http://www.avesdeportugal.info/athnoc.html ). Nome científico : Athene noctua ( noctua , em latim significa coruja ; nome relacionado com nox, noctis “noite”) O nome científico remete-nos para a mitologia — coruja de Atena . A coruja era a ave consagrada à deusa Atena, protectora de Atenas, com o seu templo na Acrópole. Templo de Atena Níke na Acrópole de Atenas ( νίκη “vitória”) A deusa Atena (Minerva para os Romanos) tem também como símbolo a oliveira por ter sido vencedora na luta contra Posídon pela posse da Ática, fazendo nascer do solo uma oliveira. Tetradracma com a representação de Atena, a coruja e a oliveira Moeda grega de 1 euro com a coruja de Atena. A coruja (mocho-galego) passou a ser símbolo de sabedoria, tal como a oliveira de Atena se tornou o símbolo da paz.

O nó górdio

Górdio era uma cidade da Frígia (região da Ásia Menor, actualmente território da Turquia), nome que deriva de um dos seus reis, Górdio. Conta a lenda que, em tempos remotos, estando a Frígia mergulhada em terríveis lutas internas, eis que, certo dia, quando os Frígios estavam reunidos em Assembleia, chega à cidade um camponês, com sua mulher e filho, num carro puxado por bois. Acontece que um oráculo tinha dito que um carro de bois lhes traria um rei que poria fim aos distúrbios. Acreditando nas previsões do oráculo, os frígios elegeram Górdio como seu rei. Górdio, como agradecimento, dedicou o seu carro a Júpiter, colocando-o na Acrópole atado com o jugo e um nó difícil de desatar. Após um longo reinado de paz e prosperidade, a Górdio sucedeu seu filho Midas, que morreu sem deixar sucessor. Então um novo oráculo anuncia que quem conseguisse desatar o nó do carro gordiano, que muitos tentavam desatar sem sucesso, seria o rei de toda a Ásia. Um dia Alexandre, O Grande, entra na cidade e...

Etimologias 3— exame e enxame

Exame e enxame a mesma origem etimológica À primeira vista estas duas palavras, com significados bem distintos, parece que nada têm a ver uma com a outra. No entanto, têm uma origem comum. Exame e enxame provêm do mesmo étimo latino: examen. O vocábulo examen significava, em latim, um conjunto de animais ou pessoas, aparecendo a designar um grupo de homens, ou um conjunto de peixes, ou de abelhas, daí, enxame . A palavra está relacionada com a raiz do verbo ago e o seu composto ex-ago > exigo. Vejamos: Verbo ago, agis, agere, egi, actum : pôr em movimento; fazer avançar; agir; fazer. Desta raiz temos o nome agmen, agminis que significa, em termos latos, multidão ; é o termo usado, na linguagem militar, para designar um exército em marcha. Com o profixo ex-, o nome examen, examinis , tem o mesmo sentido de “multidão” e, portanto, examen apium = uma multidão de abelhas, um enxame. Ainda com o mesmo prefixo ex-, o verbo exigo, exigis, exigere, significa “tirar para fora”, “...

A história das palavras

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Há palavras com uma origem curiosa, e esta é uma delas: mausoléu . O dicionário diz-nos que um mausoléu é um monumento funerário grandioso e rico. O nome deriva de Mausolo e remete-nos para uma das sete maravilhas do mundo antigo , o Mausoléu de Halicarnasso. Halicarnasso era uma cidade da Anatólia, junto ao mar, e Mausolo foi o seu rei, sucedendo ao pai em 377 a.C. Corresponderá à actual Bodrum, na Turquia. Após a morte de Mausolo, em 353 a.C., a mulher (e irmã), Artemísia, mandou construir um monumento de homenagem ao seu amor — um Mausoléu , obra do artista Pítias. No entanto, as datas apontadas pelos historiadores parecem indicar que a construção do Mausoléu terá começado ainda em vida de Mausolo (entre 370 e 365 a.C.). Deste monumento grandioso, que começou a ser escavado em meados do século XIX, pouco ou nada resta. A sua sumptuosidade, no entanto, é descrita pelos autores antigos, especialmente Vitrúvio e Plínio, o Antigo. E muitos foram os artistas que, ao longo dos tempos, nos...

"O presente não basta"

O título é de Ivano Dionigi, professor italiano que foi, até 2015, reitor da Universidade de Bolonha, e que publicou, em 2016, um livro intitulado "Il presente non basta. La lezione del latino" (ed.Mondadori). Das entrevistas dadas a propósito do lançamento do livro destacam-se afirmações como estas: "O latim ensinou-me a centralidade da palavra, o valor do tempo e a nobreza da política" "Ensina  a importância de agir para o bem [mostra o valor ] de uma política que pode ser a expressão mais nobre do homem" "ensina a centralidade da palavra e ajuda a fazer a distinção entre o simples vocábulo e a palavra de sentido e verdade"

Cessação da Secção ? Não

A PALAVRA E O SEU SIGNIFICADO — ETIMOLOGIAS A língua portuguesa é rica em vocábulos que, à primeira vista, muito parecidos têm, no entanto, significados diferentes. Portanto há que estar atento! Vejamos as semelhanças entre alguns vocábulos portugueses e as diferenças que vêm da sua origem: — cessação “acto de cessar”, “suspensão”, “interrupção”— do latim cessatio, cessationis “paragem”, “cessação” da raiz do verbo: cessare “parar”, “cessar” —  cessão “acto de ceder”, “cedência” — do latim cessio, cessionis “acção de ceder”    da raiz do verbo cedo, is, ere, cessi, cessum: “andar”, “ir-se embora”, “ceder”, “recuar” — secessão “separação daqueles a que se estava unido” do latim secessio, secessionis “afastamento”, “secessão”, “revolta” do verbo secedere [composto de se + cedo ] “caminhar à frente”, “afastar-se”, “separar-se” — sessão — do latim sessio, sessionis “acção de sentar”, “sessão”, “audiência” da raiz do verbo sedere “estar sentado”, “estacionar”, “fix...

JANEIRO

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JANEIRO De acordo com a tradição, foi a reforma do calendário efectuada pelo segundo rei de Roma, Numa Pompílio, que acrescentou dois meses (Janeiro e Fevereiro) ao antigo calendário criado por Rómulo. O calendário cuja criação se atribuía a Rómulo era um calendário agrário de 304 dias, com dez meses muito irregulares. O ano começava em Março e terminava em Dezembro, daí os nomes dos meses, seguindo a numeração: December (de decem -10), o 10º mês, como Nouember (de nouem -9), o 9º mês, October (de octo -8), o 8º mês, September (de septem - 7), o 7º mês. O mês de Janeiro era dedicado a Jano, considerado o deus das portas, das entradas. Mas este mês não foi sempre o primeiro mês do ano. O ano começava em Março, quando os cônsules eleitos tomavam posse. Foi só no ano 153 a.C. que Ianuarius se tornou o primeiro mês do ano. Quinto Fúlvio Nobilior, cônsul eleito nesse ano, ocupa o cargo no dia 1º de Janeiro. A causa foi a guerra com os Celtiberos, na Hispânia. Por uma questão de urgênc...