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A mostrar mensagens de março, 2026

Ortografia — do grego ao português

Gozando um belo dia de sol, e lendo um texto sobre energias renováveis...          "O Sol produz energia... libertando calor e luz através da fusão de hidro génio em hélio " E lá vamos nós à mitologia...   Hélio era, na mitologia grega, o deus do sol, ou, mais especificamente, um "génio dotado de existência e de personalidade próprias, que se distingue de outras divindades solares como Apolo." É anterior às divindades olímpicas, era um Titã, filho de Hipperíon, e irmão da Aurora e da Lua (Selene).  Hélio teve muitos descendentes. Lembremos, apenas, que era o pai da feiticeira Circe e de Pasífaa, a mulher de Minos, rei de Creta,  e mãe do Minotauro. O nome grego é Ἥλιος . A primeira letra não tem nada a ver com o H do alfabeto latino, mas há ali algo que com ele se relaciona. Aquele Η é a vogal longa eta (maiúscula), correspondente à minúscula η .     Na língua grega antiga, as palavras começadas por vogal (ou dito...

Flores e Mitos

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Na mitologia toda a natureza tem uma história. É a origem das plantas, das flores, das árvores... é a explicação das estações do ano, são as cores, os ventos, o sol... a terra e os seus frutos. Para tudo a mitologia grega tem uma explicação, com histórias de amor, de alegrias e tristezas, de risos e de lágrimas, de metamorfoses... É a flor que imortaliza um ser amado, a flor que serve de disfarce a um deus enamorado, a flor sempre aliada à divindade e aos seus poderes, como acontece com a anémona   (do grego ἄνεμος ‘vento’), relacionada com o mito de Adónis. Diz-nos o mito que Adónis era filho de Mirra, a jovem filha de Tiante, rei da Síria a quem a ira de Afrodite (porque Tiante dizia que a sua filha era mais bela que a deusa)  suscitou um amor incestuoso pelo próprio pai. Ao descobrir o ardil em que caiu, o rei, furioso, persegue-a para a matar, mas os deuses apiedaram-se da jovem e transformaram-na numa árvore, a árvore da mirra .  Diz o mito que a jovem chorou tant...

Ai a Gramática!

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A moda das palavras. Há modas, sim. As palavras têm modas...  Há vocábulos que, tal como as roupas e outros objectos de uso, passam de moda e dão entrada a outros que, por insondáveis desígnios, alguém definiu como "tendência"... e infiltram-se... e passam a ser usados por todos aqueles que não querem "estar fora de moda"... Um desses vocábulos que, de um uso mais restrito e quase erudito, entrou na língua de todos os dias e que toda a gente quer usar nas mais variadas situações, mesmo quando haveria outros mais adequados, é a palavra SÉNIOR . Agora todo o jornalista, todo o "escrevente", quando quer referir-se às pessoas mais velhas, diz "um sénior", já não é "uma senhora com alguma idade", "uma idosa" ou "um idoso", é "um sénior "... A complicação aparece quando, em vez de uma, são várias as pessoas de mais idade que querem referir. E então, ouvimos e lemos o disparate — Séniores ! Sim, mal pronunciado, ...

Dáfnis e Cloé

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No seguimento do texto anterior sobre o Festival Europeu e a leitura do romance de Longo de Lesbos, Dáfnis e Cloé . No Preâmbulo assim expõe o autor o assunto da sua obra:      "Em Lesbos, enquanto caçava num bosque consagrado às Ninfas, contemplei o mais belo espectáculo da minha vida: uma pintura digna de quadro, uma história de amor. Também o bosque era belo, com inúmeras árvores, flores e riachos: uma só fonte alimentava o desabrochar das flores e das árvores, mas a pintura era ainda mais preciosa, proporcionando ao mesmo tempo uma arte prodigiosa e uma aventura amorosa. Por isso ali vinham inúmeras pessoas, muitas de longe, visitar o bosque, atraídas pela sua fama, tanto para venerarem as Ninfas como para contemplar o quadro.        Nela figuravam mulheres a darem à luz, outras a colocarem fraldas, crianças abandonadas, animais a amamentarem-nas, pastores a acolherem-nas, jovens a trocarem promessas, um desembarque de piratas, uma inva...

Festival Europeu Latim Grego

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Teve lugar nos dias 19, 20 e 21 de Março o Festival Européen Latin Grec , uma iniciativa da Universidade de Lyon que se repete anualmente e na qual podem participar escolas e universidades de toda a Europa.   Durante estes dias, os estudiosos das Línguas Clássicas são convidados a organizar sessões de leitura de obras de autores gregos e latinos, na sua língua original ou em traduções para as línguas nacionais. Como se lê no anúncio do Festival: Le Festival Européen Latin Grec vise à promouvoir les lettres classiques en mettant en lumière l’œuvre d’un auteur de l’Antiquité. aqui Pour cette nouvelle édition, vous êtes invités à entendre le plus célèbre roman de la Grèce antique, Daphnis et Chloé de Longus. Au programme, amour, nature et aventures… Neste ano de 2026 a obra escolhida foi o romance grego Dáfnis e Cloé da autoria de Longus, autor do século III d.C. Dáfnis e Cloé é o romance grego mais conhecido. Narra-nos uma história de amor entre dois jovens, inocentes e puros, cria...

Os mitos clássicos e a actualidade

Os mitos contam histórias, histórias de criação, de morte e de renovação, do homem e da natureza.  Através dos mitos se procurava explicar a criação do mundo e das coisas, fenómenos da natureza, comportamentos dos homens e dos deuses.  Nestas histórias, em que assistimos a uma relação natural entre mortais e imortais, deuses, heróis e semi-heróis são apresentados como exemplos a seguir ou como vícios a evitar. A mitologia greco-romana está cheia destas narrativas didácticas, histórias que procuravam apresentar exemplos, valores a defender, casos de luta do homem contra o domínio excessivo dos seres superiores, mas também exemplos do que podem os deuses imortais quando ultrajados pelos humanos num desafio ao seu poder. Abundam as narrativas de vingança, de crimes, de ódios, de justiça divina e humana, que trazem à superfície os abismos insondáveis do espírito humano, capaz tanto de grandes feitos de heroísmo como de actos de grande crueldade. São, por isso, narrativas de todos ...

As andorinhas e o mito

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Na Ode IX de Camões — Fogem as neves frias — Ode da Primavera, da passagem do tempo, das estações do ano, inspirada nas Odes de Horácio sobre as estações do ano, lemos estes versos: Zéfiro brando espira; suas setas Amor afia agora; Progne triste suspira e Filomela chora; o Céu da fresca terra se enamora. Segundo o poeta, Progne suspira e Filomela chora.  Porquê? Progne , ou Procne e Filomela são duas figuras da mitologia grega relacionadas com uma história trágica, de violência, traição, vingança e morte. Eram duas irmãs, Procne e Filomela , filhas de Pandíon, rei de Atenas. Quando o soberano ateniense andava em guerra com o rei tebano, Lábdaco ( este Lábdaco era neto de Cadmo, o fundador de Tebas, que ali chegou quando procurava a sua irmã Europa, a jovem que foi raptada por Zeus , disfarçado num touro branco ), teve a ajuda preciosa de Tereu, rei da Trácia, que foi essencial para a vitória. Como agradecimento, ofereceu-lhe em casamento a sua filha Procne, que algu...

Ode à Primavera

 Porque hoje chega, oficialmente, no calendário ... ... a Primavera , celebrada pelo poeta grego Íbico , do século VI a.C. Natural de Regio, no sul da Itália, Íbico emigrou para Samos e trabalhou na corte do tirano Polícrates. Parecer ter sido autor de uma vasta obra que os filólogos alexandrinos reuniram em 7 livros. Até nós chegaram apenas fragmentos. Primavera   Na primavera florescem os marmeleiros e as romãzeiras, regadas pelas águas dos rios, lá onde fica das Virgens o jardim imaculado, e os gomos das videiras crescem sob os rebentos umbrosos dos pâmpanos; mas a mim o Amor não me dá estação alguma de descanso: como o trácio Bóreas, deflagrando com o trovão, soprando do lado de Cípria, com loucura devastadora, tenebroso e sem peias, sacode de alto a baixo com força o nosso coração.   Íbico (frg. 6 Diehl) – trad. de M.H.da Rocha Pereira

A Primavera e as andorinhas

A Primavera inspirava/inspira os poetas. Fernando Pessoa pedia inspiração às andorinhas: Andorinha que vais alta, Porque não me vens trazer Qualquer coisa que me falta E que te não sei dizer? Mas as estações do ano já não são o que eram... É quase imperceptível a sua chegada, de tal modo os dias mais quentes e os mais frios ou chuvosos se vão misturando... No entanto, ainda reparamos nas árvores que florescem, nas ervinhas, nas andorinhas... As andorinhas, também elas, essas aves migratórias, que chegavam com a Primavera, vindo em busca de um clima mais ameno, e partiam quando os dias ficavam mais frescos, no Outono, em direcção a outros climas, parece que já pouco migram, sentem-se bem por cá o ano todo. É comum ouvirmos dizer que "uma andorinha não faz a primavera", expressão que se utiliza nas mais variadas situações. Mas será que pensamos na sua origem? Pois... tudo... ou quase tudo... nos vem dos Gregos. Nos gregos antigos temos a fonte da sabedoria! Esta expressão ve...

Recomeçar

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E, neste recomeço, numa Primavera que se adivinha algo inconstante, recordemos o grande poeta romano Horácio, que assim cantava a Primavera, em duas das suas Odes. Apenas os primeiros versos: Dissolve-se o áspero Inverno dando a bem-vinda vez à Primavera e ao Favónio as máquinas arrastam secas as quilhas, e não mais se alegra o gado nos estábulos, nem o lavrador junto ao fogo, nem os   campos alvejam com a ebúrnea geada.   Fugiram as neves, já a erva aos campos retorna,     e as folhas às árvores, a terra muda e renova-se, e os rios, minguando,     correm entre as margens; (tradução de Pedro Braga Falcão, Livros Cotovia, 2008) E que o nosso grande Camões também assim cantou: Fogem as neves frias dos altos montes, quando reverdecem as árvores sombrias; as verdes ervas crescem, e o prado ameno de mil cores tecem.  

RENOVAÇÃO

Primavera a chegar. Tempo de renovação! Inicia-se hoje uma nova vida para este blog, vindo de outro endereço. Procurarei ser mais assídua.