Os mitos clássicos e a actualidade
Os mitos contam histórias, histórias de criação, de morte e de renovação, do homem e da natureza. Através dos mitos se procurava explicar a criação do mundo e das coisas, fenómenos da natureza, comportamentos dos homens e dos deuses.
Nestas histórias, em que assistimos a uma relação natural entre mortais e imortais, deuses, heróis e semi-heróis são apresentados como exemplos a seguir ou como vícios a evitar.
A mitologia greco-romana está cheia destas narrativas didácticas, histórias que procuravam apresentar exemplos, valores a defender, casos de luta do homem contra o domínio excessivo dos seres superiores, mas também exemplos do que podem os deuses imortais quando ultrajados pelos humanos num desafio ao seu poder.
Abundam as narrativas de vingança, de crimes, de ódios, de justiça divina e humana, que trazem à superfície os abismos insondáveis do espírito humano, capaz tanto de grandes feitos de heroísmo como de actos de grande crueldade.
São, por isso, narrativas de todos os tempos, susceptíveis de interpretações várias, sempre actuais,
Recentemente foi publicado em Espanha um livro com o título sugestivo "Mitos Gregos que nos habitam" (Bookman, 2026). Da autoria de Pedro José Grande Sánchez, professor de filosofia na Universidade Complutense de Madrid, a obra, como se lê na apresentação, diz-nos que:
"...estas narrativas antigas continuam a ser
ferramentas poderosas para compreendermos e imaginarmos outras formas de viver.
Os mitos não são relíquias do passado, mas linguagens simbólicas que iluminam as
nossas contradições mais atuais. Ao longo de 40 capítulos breves e acessíveis,
o livro percorre os grandes mitos da Grécia clássica e coloca-os em diálogo com
os desafios contemporâneos: redes sociais, vigilância digital, crise emocional,
consumismo, dopamina, identidade líquida, burnout, polarização, amor,
feminismo, violência, ecologia, dissidência...
Cada mito torna-se, assim, um espelho inesperado do que
somos e do que poderíamos ser. "
Sobre esta obra, através de um artigo que a apresenta, pode ler mais no blogue "de rerum natura" — aqui
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