A Primavera e as andorinhas
A Primavera inspirava/inspira os poetas.
Fernando Pessoa pedia inspiração às andorinhas:
Andorinha que vais alta,
Porque não me vens trazer
Qualquer coisa que me falta
E que te não sei dizer?
Mas as estações do ano já não são o que eram... É quase imperceptível a sua chegada, de tal modo os dias mais quentes e os mais frios ou chuvosos se vão misturando... No entanto, ainda reparamos nas árvores que florescem, nas ervinhas, nas andorinhas...
As andorinhas, também elas, essas aves migratórias, que chegavam com a Primavera, vindo em busca de um clima mais ameno, e partiam quando os dias ficavam mais frescos, no Outono, em direcção a outros climas, parece que já pouco migram, sentem-se bem por cá o ano todo.
É comum ouvirmos dizer que "uma andorinha não faz a primavera", expressão que se utiliza nas mais variadas situações. Mas será que pensamos na sua origem?
Pois... tudo... ou quase tudo... nos vem dos Gregos. Nos gregos antigos temos a fonte da sabedoria!
Esta expressão vem já em Aristóteles (384-322 a. C.), na sua "Ética a Nicómaco", obra em que discorre sobre o tema da felicidade e do bem.
Procura o filósofo mostrar que a ideia de bem e de felicidade não é igual para todos, pois é diferente o bem para um arquitecto, por exemplo, ou um médico. Além disso, a felicidade não diz respeito a um momento específico da vida do indivíduo, não é só um dia, ou um curto intervalo de tempo que fazem a felicidade e a bondade, tal como
"uma andorinha não faz a primavera" — μία γὰρ χελιδὼν ἔαρ οὐ ποιεῖ (I, 7, 16)
E Carlos do Carmo cantava:
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