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Cantemos o Natal

Há muitos cânticos de Natal em latim, uns celebrando o Deus Menino outros de carácter mais profano. Este fala-nos da árvore de Natal "o abeto que reina no alto do monte" (cantado com a música da conhecida canção de Natal alemã): O abies, o abies! In alto regnas monte. Non desunt tibi folia Hieme frigidissima. O abies, o abies! In alto regnas monte. O abies, o abies! Natalem nuntias diem. Est maxima laetitia Cum luces, arbor splendida. O abies, o abies! Natalem nuntias diem.

FELIZ NATAL

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  Bonum Festum Natalicium

Natal

  Natalis , palavra latina que significa nascimento ; daí natalis Christi "nascimento de Cristo", que se tornou o mais importante dos nascimentos, e por isso apenas Natal , designando a data em que a Igreja festeja o nascimento de Cristo. Em português natal aparece também como adjectivo em " terra natal ", designando o local do nascimento de alguém.

Acontecimentos e outros inventos...

  Vamos, de novo, às etimologias. A Igreja católica celebra o advento , quer dizer, o tempo que prepara o Natal, a vinda do Senhor. A palavra advento está relacionada com o verbo latino advenire 'chegar' (vindo do verbo venire 'vir', ou uenire , visto que no latim clássico não existia o símbolo v ). É do supino (forma verbal que não tem correspondência em português) desse verbo - adventum -  que deriva o substantivo adventus que significa "chegada" e dá o português advento . Da mesma família é o verbo evenire "vir de, acontecer", de onde sai o substantivo latino eventus , que dá o português evento com o significado de acontecimento ; daí também eventual , eventualidade . E como as palavras são como as cerejas, aí vem outro verbo da mesma raiz: invenire "vir sobre, encontrar" com cujo supino se relaciona o substantivo inventus "invenção" que vem dar o português invento . Verbo composto com outro prefixo é o supervenire ...

No dia de S.Martinho

  Hoje é dia de S. Martinho. Vem a propósito falar de capela e da origem deste vocábulo. A palavra capela tem origem no vocábulo latino cappella , diminutivo de cappa , que significa capa , logo cappella seria uma capinh a, uma capa pequena . O vocábulo cappella terá aparecido pela primeira vez por volta do ano 660 para designar um pedaço da capa de S.Martinho (conta-se que em 338 S. Martinho teria partido a sua capa ao meio para dar metade a um pobre). Esse pedaço da capa (capinha por já não ser a capa inteira) de S.Martinho foi então guardado num relicário e conservado num oratório construído de propósito para aí poder ser visto e venerado. A determinado momento o nome cappella começou a ser aplicado ao oratório onde estava o relicário. O termo foi mais tarde alargado a outros relicários e passou a substituir a palavra oratório. Já no século XIII, a palavra se aplicava a qualquer local consagrado ao culto religioso e, desde o século XV, passa a designar um "lugar separado n...

Vade retro

  Li, numa tradução de um romance inglês, a expressão " vá de retro ". Ora, isto não existe em português. Trata-se de um mau entendimento da expressão latina " vade retro " que significa "afasta-te", "vai para trás", sendo vade uma forma de imperativo do verbo "vado" e retro um advérbio que significa "para trás". Esta expressão vade retro é usada na Bíblia, Evangelho de São Mateus, quando Cristo, no deserto, praticando o jejum, é tentado por Satanás. Daí ser usada sempre que se quer esconjurar algo. O mesmo verbo vado está presente na expressão " Quo vadis, Domine ", para onde vais, senho r, sendo quo o advérbio interrogativo, "para onde" e vadis a 2ª pessoa do singular do presente do indicativo. Quo vadis é o título de um romance do polaco Henryk Sienkiewicz, cuja acção se passa no tempo de Nero, tendo por tema as perseguições aos cristãos, e que deu origem a um filme "Quo vadis", de 1951.

Seniores

  Um erro recorrente, quer pensemos nas regras de acentuação do latim, quer tenhamos em conta as regras da gramática portuguesa: a acentuação da palavra seniores . Esclareçamos as regras: na língua portuguesa, tal como na língua latina, as palavras são acentuadas (isto é, têm acento tónico, mesmo que a regra não obrigue a acento gráfico) apenas nas três últimas sílabas — última, penúltima ou antepenúltima. Ora, a palavra seniores (palavra latina que quer dizer os mais velhos) tem as seguintes sílabas: se-ni-o-res , quer dizer, 4 sílabas. Segundo a regra atrás enunciada, nunca a sílaba tónica pode ser a 1ª ( se ), visto que fica para lá da antepenúltima. A acentuação latina, que se mantém quando usamos o vocábulo no nosso falar quotidiano, tem como sílaba tónica a penúltima - o - . Assim, quando falamos no singular, dizemos sénior (com acento gráfico, visto se tratar de uma palavra esdrúxula, isto é, acentuada na antepenúltima sílaba e, segundo as regras da gramática portuguesa, ...

"Latim esquecido ou desprezado?"

Este é o título da carta de um leitor do Diário de Coimbra de hoje, na secção "Fala o leitor". Pelo seu interesse, transcrevo partes dessa carta assinada por João Amado Mateus, um leitor de Assafarge, Coimbra: "Antigamente estudava-se nas escolas oficiais do Estado e não só, a língua latina. A partir da década de 60, por infortúnio, o latim tornou-se a pouco e pouco um bicho de sete cabeças, por se considerar ser muito trabalhoso. Por culpa dos professores? Por culpa dos alunos? Por culpa dos programas de ensino? Por causa da ignorância das vantagens da aprendizagem desta língua rigorosa na sua sintaxe, e na perfeição das suas construções? Esquecemo-nos entretanto que essa língua era e é a mãe da nossa? ... É por isso, e por muitos outros motivos que alunos em avançado nível de estudos universitários ou com eles há muito tempo concluídos não falam nem escrevem português correcto. Além disso uma grande parte dos nossos alunos do secundário só lê as obras dos nossos cláss...

Expressões latinas usadas no quotidiano

Mesmo não o sabendo, estamos constantemente a utilizar palavras e expressões latinas no uso quotidiano da língua portuguesa. Alguns exemplos: — item : no sentido de "parcela", "artigo" de um texto escrito. É palavra que em latim significa "do mesmo modo", "igualmente". Lida tal qual se escreve, e não como se fosse uma palavra inglesa, como há dias um senhor ministro do nosso governo pronunciou na TV. — p a ri passu : quer dizer "com passo igual", expressão que, deturpada, passou a ser usada em português como "a par e passo". Se é certo que a expressão em português tem um sentido idêntico, ela é apenas uma adaptação, pois se perdeu o conhecimento da expressão latina. Dizer que se "acompanha qualquer coisa pari passu " quer significar que se vai ao lado, com passo igual. — ex aequo : com igual mérito, utiliza-se, por exemplo, quando se quer anunciar que um 1º prémio foi atribuído a dois concorrentes, sem distinguir nen...

Romances de tema clássico

É impressionante a quantidade de obras de ficção cujo tema se situa na Antiguidade Romana ou Grega. Está na moda este interesse pelo romance histórico e, no que toca à época romana, o número de títulos é considerável. Ultimamente, também os autores portugueses mais jovens têm sido influenciados por esta "onda", quer com uma trama situada na antiguidade, quer com referências culturais e literárias inseridas na obra. Destaco hoje, apenas como exemplo, dois livros que li recentemente: De Paulo Bogalho, A cabeça de Séneca.  — O título remete para o filósofo e mestre de Nero, e é tema de uma tese da principal personagem feminina da obra. São muitas as discussões das personagens sobre esta época do império romano e muitas as referências à cultura romana e à literatura, com destaque para o poeta Horácio, cujos poemas são constantemente citados. Pena é que o autor se inspire apenas na tradução inglesa (que transcreve mesmo, sem tradução) quando devia procurar boas traduções em portug...

O ESTUDO DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS NA EUROPA - 3

Também em França o ensino das línguas clássicas tem vindo a diminuir nos últimos anos. A página da confederação das associações de professores de línguas clássicas (CNARELA) dá conta da luta que têm travado em todas as academias do país, ano após ano. No entanto, vejamos os números: No ano lectivo de 2010/2011 estudavam línguas clássicas (Latim e/ou Grego) no ensino não universitário: 539 207 alunos. É que, em terras de Astérix, o estudo da língua latina começa no collège , correspondente ao nosso 3º ciclo, e, desde 1996, ele é facultativo nos três anos que precedem a entrada no Liceu (o nosso ensino secundário), com duas horas semanais no primeiro ano e três horas semanais nos outros dois. O grego é introduzido apenas no último ano do colégio, com três horas por semana. E os números são impressionantes! Na entrada de 2010 havia, no primeiro ano de Latim (somando o ensino público e o privado): 168 683 alunos; no 2º ano: 143 728 alunos; no 3º ano: 122 997 alunos; o Grego era frequen...

OS EXAMES

Apenas 129 alunos no exame de Latim de 11º ano, 1ª fase (em 2010 tinham sido 176). É o lento  desaparecimento... E ficamos admirados com as negativas na disciplina de Português?! E clamamos porque os alunos não souberam identificar o sujeito?! É o desprezo pelas Humanidades, é o abandono da reflexão sobre a língua (pecado de que já sofrem os próprios professores mais novos, vítimas das inovações no ensino da língua materna)... E, não reflectindo sobre a língua, não se reflecte sobre nada, porque tudo nesta terra se faz sem pensar... E o resultado está à vista... Até onde nos levará este descalabro?...

QUIS CUSTODIET ?

Num jornal diário, a propósito das agências de rating , alguém perguntava "Quis custodiet ipsos custodes?", traduzindo "Quem fiscaliza os fiscalizadores?". T r a t a - s e   d e   u m a   f rase latina interessante que joga com palavras da mesma raiz, o verbo custodire "guardar" e o substantivo custos, custodis "guarda". A forma verbal está no tempo futuro - custodiet  - 'guardará', 'vigiará': quem guardará (há-de guardar/vigiar) os próprios guardas (no caso do artigo de jornal, os fiscalizadores, os que fiscalizam as contas alheias). Assim se entendem frases portuguesas onde entra a palavra custódia : —   " O pai ficou com a custódia do filho ", quer dizer, com a 'guarda / protecção '; — "O réu saiu sob custódia ", isto é, sob detenção, guardado; — " Neste Museu há uma custódia de ouro muito valiosa", quer dizer, um objecto religioso onde se guarda/expõe a hóstia consagrada. E há também o...

O ESTUDO DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS NA EUROPA - 2

Também na vizinha Espanha, embora a situação das línguas clássicas já tenha conhecido melhores dias, ela é, contudo, bem melhor do que em Portugal. Ali, logo no Ensino Secundário obrigatório (que vai até ao correspondente ao nosso 3º ciclo) a disciplina de Latim figura como opção no 4º Curso, entre um conjunto de sete, das quais o aluno tem de escolher de 3 a 5. No Bachillerato (alunos de 16 a 18 anos) aparecem duas disciplinas de Latim (Latim I e Latim II) e duas de Grego (Grego I e Grego II), no Curso de Humanidades e Ciências Sociais. Neste curso, os alunos devem cursar seis matérias (3 em cada ano) das quais cinco devem corresponder à modalidade escolhida.

A SITUAÇÃO PORTUGUESA QUANTO AO ESTUDO DO LATIM NO ENSINO SECUNDÁRIO

A Disciplina de LATIM  A   é um disciplina de dois anos (10º e 11º), com exame a nível nacional no final do 11º ano; é uma disciplina de opção no curso Científico-humanístico de Línguas e Humanidades ;  neste curso, na componente específica, o aluno escolhe duas disciplinas bienais entre um grupo de 5:  Geografia A, Latim A, Língua Estrangeira I, II ou III, Literatura Portuguesa, Matemática Aplicada às Ciências Sociais . Há também no 12º ano, entre as disciplinas de opção, uma disciplina de Latim B (não sujeita a exame nacional) a que só têm acesso os alunos que fizeram o Latim A. Este curriculum entrou em vigor no ano lectivo de 2004-2005. Anteriormente o Latim era trienal e “quase” obrigatório para os alunos de Humanidades. Em 2010 fizeram exame de Latim A, na 1ª fase 176 alunos ( em 2009 tinha havido 289 alunos na 1ª fase). Veja-se a diferença, em poucos anos: Frequência da disciplina de Latim (trienal): Em 2002, na Zona Norte, havia, no 10º ano, 116 turmas, no 11...

O ESTUDO DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS NA EUROPA -1

Bem diferente do que se passa em Portugal é a atenção dada às línguas clássicas em outros países da União Europeia. Vejamos o que se passa em Itália, onde neste ano lectivo, 2010-2011, se iniciou uma reforma dos liceus que coloca as línguas clássicas na seguinte situação  (número de horas anuais em cada ano): Ciências Humana s -   Língua e Cultura Latina ( obrigatória ) 1º biénio : 99 horas                                 +99 horas; 2º biénio: 66 h + 66 h; 5º ano: 66 horas; Liceu Científico -  Língua e Cultura Latina  ( obrigatória ) 1º biénio : 99 horas                           + 99 horas; 2º biénio: 99 h + 99 h; 5º ano: 99 horas; Liceu Linguístico -   Língua Latina  ( obrigatória ) 1º biénio : 66 horas + 66 horas; Liceu Clássico -    Língua e Cultura Latina  ( obrigatória ) 1º b...

Da importância do estudo do latim

  O estudo da língua Latina não é apenas um luxo de eruditos. O latim é a matriz da nossa identidade, o conhecimento do latim e da cultura greco-romana é essencial para um conhecimento daquilo que somos, do que é a nossa cultura, do sentido dos nossos costumes, do conhecimento das nossas origens. O estudo da língua latina é essencial para uma correcto conhecimento da língua portuguesa, para além de ajudar na aprendizagem de outras línguas (isso mesmo já foi reconhecido em estudos realizados nos EUA, onde o interesse pelo latim está em fase de expansão). O estudo da língua latina desenvolve as capacidades de análise e de raciocínio, ensina a escrever mais correctamente a nossa língua, enriquece o vocabulário, ajuda na compreensão de qualquer texto em língua materna.  É, realmente, uma base importante e essencial. Isso foi reconhecido na Alemanha, onde, depois de alguns anos em que o estudo do latim diminuiu um pouco, se está a incentivar de novo, porque reconheceram o seu valor...

"Peplum Filmus Actionis Recheadus"

Numa época em que, infelizmente, se está a perder nas escolas o estudo da língua latina, há quem, talvez por achar graça, goste de usar frases e expressões em latim, a propósito e mesmo a despropósito. O título deste texto, "Peplum Filmus Actionis Recheadus", aparece a anunciar um filme num jornal diário (DC, 16 de Junho de 2011). Trata-se do filme "A Águia da Nona Legião", uma realização de Kevin MacDonald. O termo "peplum", nome dado a uma peça de vestuário feminino (um vestido), entre os gregos, e depois usado também pelos romanos para designar um manto de cerimónia, foi dado a um tipo de filme de aventuras, normalmente com temática antiga, entre elas a greco-romana. Alatinar filme em filmus ainda se tolera, em termos de latim macarrónico, já o "recheadus" é bem pior. Parece, no entanto, haver da parte do autor da frase, um certo conhecimento da estrutura flexionada da língua latina visto que coloca recheadus a concordar com filmus (seria ...

SALVEMOS O ENSINO DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS

Mais um final de ano lectivo, uma época de matrículas se aproxima, uma altura em que os jovens que irão frequentar o 10º ano no próximo ano lectivo terão que construir o seu curriculum escolar. É então altura de pensar, nas escolas, nas famílias, entre os professores, entre os candidatos ao ensino secundário, naquilo que se pretende como formação integral que deve ser ministrada nas nossas escolas, nas capacidades e competências básicas que se devem desenvolver. Nos últimos anos, temos assistido a uma desvalorização da componente humanística, vemos os cursos de Humanidades sem candidatos e constatamos que muitos jovens que ingressam nos cursos científico-tecnológicos o fazem mais por questões de influência social e a pensar na vertente económica do que tendo em conta o seu gosto pessoal, a sua verdadeira vocação. É certo que pensar no futuro, num curso com saída profissional é importante. Mas, nos tempos que correm, quais são os cursos que dão garantia de saída profissional? É, muitas...

ETIMOLOGIAS — 2

Mês de Junho, vai longo o ano de trabalho, há, por isso, quem goste de ir a um SPA para retemperar as forças. Esta sigla — SPA — que agora entrou na moda, tem também uma origem latina. As três letras de SPA são as iniciais da expressão   Salus Per Aquam  [expressão que se vê/lê muito deturpada nos anúncios e referências que aparecem a querer explicar o seu significado] que quer dizer saúde através da água . Da mesma raiz de salus é o adjectivo salutaris que significa salutar , isto é, que dá saúde . Daqui provêm as palavras portuguesas salutar , por via erudita, mas também, por via popular, vêm do mesmo étimo os vocábulos saúde , saudar , saudação . Portanto, saudar alguém é desejar-lhe saúde e salutar é tudo aquilo que é favorável à saúde.

ETIMOLOGIAS 1

Com o novo acordo ortográfico perde-se, em muitos casos, a noção do étimo do vocábulo, mas ele é de primordial importância se queremos saber o seu verdadeiro significado, num tempo em que o verdadeiro valor das palavras anda tão deturpado, sendo-lhes atribuídas conotações bem diferentes do seu significado original. Vem, então, a propósito sabermos o sentido etimológico da palavra " ministro ": vem do latim minister que significa servidor , subordinado . Com esta palavra se designava o escravo doméstico e também, noutro contexto, aquele que estava encarregado do culto aos deuses. O ministério , do latim ministerium , era a função de servidor, uma função servil, daquele que está ao serviço dos outros. Em contexto religioso era o serviço ao altar do deus, o sacerdócio. Se pensarmos no feminino, a ministra era a escrava, a criada ou a sacerdotisa.

A ACTUALIDADE DE CAMÕES

É de todos os tempos este mal, já o épico o critica: prosperam os ricos e poderosos, sobem ao poder para se servir a si próprios, o povo é sempre o desprezado, o explorado: E vê do mundo todo os principais Que nenhum no bem público imagina; Vê neles que não têm amor a mais Que a si somente, e a quem Filáucia ensina; Vê que esses que frequentam os reais Paços, por verdadeira e sã doctrina Vendem adulação, que mal consente Mondar-se o novo trigo florescente. Vê que aqueles que devem à pobreza Amor divino, e ao povo, caridade, Amam somente mandos e riqueza, Simulando justiça e integridade. Da feia tirania e de aspereza Fazem direito e vã severidade, Leis em favor do Rei se estabelecem; As em favor do povo só perecem. Os Lusíadas, IX, 27-28.

LVSIADAE

Em dia de Camões, a versão latina d'  Os Lusíadas : Proposição I. Arma virosque pariter insignes Lusitanis qui occiduis ab oris Profecti, ignotis, metuendis altis Navigatis, Taprobanem et ipsam Praeteriere, periclisque et bellis Super naturam fortes imbecillam, Inter remotas gentes novum regnum Finxerunt, quod sublime reddidere; II. Gloria item praestantes omnes reges Qui christianam Fidem dilatarunt Imperiumque simul lusitanum, Errantes, Asiam, Africam vastantes; Qui, grandium memoria factorum, Sempiternum supererunt in aevum, Canens, faventibus et Musa et arte, Per totum prorsus orbem divulgabo. III. Docti Graeci et Troiani praedicari Ingentes desinant per maria cursus; Regum praetermittantur Alexandri Ac Traiani victoriae patratae: Ego acres, claros Lusitanos canto, Quibus Mars bellax Neptunusque parent. Antiquae animo excidant Camenae; Celebranda altiora surgunt gesta. Tradução de Clemente de Oliveira, O.P., 2ª edição, 1988

Para actualizar o Latim

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     Da Associação de Professores de Latim e Grego, algumas imagens com Latim Feles, amicus meus            APLG - Associação de Professores de Latim e Grego       aplg.no.comunidades.net                                                                                                                MUSICA  MIHI PLACET     APLG - Associação de Professores de Latim e Grego       aplg.no.comunidades.net    

A propósito do mês de Junho

Segundo o calendário romano, Junho era o mês dedicado a Juno, a rainha das deusas, mulher de Júpiter, senhor dos deuses e dos homens. Juno, identificada com a vida das mulheres, era a deusa da fertilidade, presidia aos nascimentos, ajudava as mulheres nos partos. Como esposa de Júpiter era também a Juno Regina fazendo, por isso, parte da Tríade Capitolina, juntamente com Júpiter e Minerva. Em honra de Juno celebravam-se, no dia 1 de Março, as festas chamadas Matronalia reservadas às mulheres. Nesse dia as mulheres recebiam prendas dos seus maridos e participavam em banquetes juntamente com as suas escravas. Juno tinha também o epíteto de Moneta (do verbo moneo , que significa recordar, avisar), pelo facto de a deusa ter prevenido os Romanos de um tremor de terra. Junto ao templo de Juno Monet a, ao norte da colina do Capitólio, havia um edifício onde era cunhada a moeda. Daí que o termo moneta signifique casa da moeda e  moeda cunhada. É, portanto, esta a origem da palavra mo...