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Os mitos Gregos e a actualidade — "o grego que todos falamos sem o saber"

Transcrevo, em tradução, mais uma crónica (que pode ser ouvida aqui ) da Professora belga Pascal Seys, na sua habitual rubrica na Rádio de Bruxelas Musiq3. Sempre atenta à actualidade, mas nunca esquecendo o passado, Pascal Seys mostra-nos, mais uma vez, como as palavras dos gregos, os seus ideiais e os seus mitos perduraram ao longo dos séculos e têm reflexo nos nossos dias. Hoje, a propósito da guerra a que assistimos com a invasão da Ucrânia, fala-nos de Ulisses e do cavalo de Tróia: A astúcia consiste numa panóplia de estratagemas destinados a enganar ou a ganhar vantagem. Molière tinha o seu Scapin ( personagem: lacaio brejeiro e intrigante ), Lafontaine a sua raposa e Homero tinha içado Ulisses ao firmamento do heroísmo mediterrânico por causa do seu engenho. Além disso, o qualificativo grego para designar a inteligência de Ulisses é “polytropos”, quer dizer, ágil, hábil e engenhoso. Ulisses é “o homem das mil artimanhas”, manipula as armas, os seus gestos são precisos e a sua p...

Neologismos: solastalgia

O Latim e o Grego estão na base da língua portuguesa, mas também de outras línguas, mesmo as de origem não românica. E, quando é preciso criar palavras novas para designar novas realidades, é ao Grego e ao Latim que qualquer cientista (seja qual for a sua área de investigação) ou filósofo recorre de imediato. Foi assim com o neologismo: solastalgia . Da sua origem nos fala a professora de filosofia belga Pascale Seys numa das suas crónicas semanais na Musiq3 - uma estação de rádio de Bruxelas, que pode ser ouvida aqui : As primeiras palavras do Génesis contam o começo do universo simultaneamente ao nascimento da linguagem como para significar que os seres e as coisas, os nossos sentimentos e as nosas representações não adquirem uma existência e uma consistência reais senão quando se exprimem no campo da linguística. É o que afirmava o historiador das ideias Jean Starobinski  a propósito de um neologismo culto aparecido no século XVIII que tem a ver com uma languidez emotiva, um es...

Filoxenia

Falemos hoje de uma palavra que nos deveria levar a pensar as questões da actualidade: filoxenia . Trata-se de uma palavra de origem grega: φιλοξενία que significa hospitalidade . Formada da união de φίλος “amigo” e ξένος “estrangeiro”, é, na sua etimologia, a amizade para com o estranho, o estrangeiro, o desconhecido. Conceito muito caro aos antigos Gregos, hospitalidade era um princípio sagrado, uma exigência do pai dos deuses e dos homens, Zeus, que era muitas vezes chamado ZEUS XÉNIOS. Sempre que alguém chegava a uma terra estranha, era recebido pelo dono da casa que o acolhia com todas as honras, antes mesmo de lhe perguntar o nome. O dever de hospitalidade cumpria-se no acolhimento de qualquer viajante que batesse à porta, dando-lhe tudo o que ele precisava, desde os cuidados de higiene à alimentação. Recebido como um hóspede de honra, só depois o estrangeiro diria, se quisesse, quem era e de onde vinha. Da raiz da mesmo palavra  ξένος “estrangeiro” vem um outro vocábulo con...