Dáfnis e Cloé

No seguimento do texto anterior sobre o Festival Europeu e a leitura do romance de Longo de Lesbos, Dáfnis e Cloé.

No Preâmbulo assim expõe o autor o assunto da sua obra:

     "Em Lesbos, enquanto caçava num bosque consagrado às Ninfas, contemplei o mais belo espectáculo da minha vida: uma pintura digna de quadro, uma história de amor. Também o bosque era belo, com inúmeras árvores, flores e riachos: uma só fonte alimentava o desabrochar das flores e das árvores, mas a pintura era ainda mais preciosa, proporcionando ao mesmo tempo uma arte prodigiosa e uma aventura amorosa. Por isso ali vinham inúmeras pessoas, muitas de longe, visitar o bosque, atraídas pela sua fama, tanto para venerarem as Ninfas como para contemplar o quadro. 
     Nela figuravam mulheres a darem à luz, outras a colocarem fraldas, crianças abandonadas, animais a amamentarem-nas, pastores a acolherem-nas, jovens a trocarem promessas, um desembarque de piratas, uma invasão de inimigos. Já ali assisti a muitas outras coisas e todas elas de amor. Movido pela admiração tive vontade de transpor para a escrita esta pintura.
     Pus-me à procura de uma pessoa que me explicasse o quadro, e depois escrevi estes quatro livros, uma oferenda a Eros, às Ninfas e a Pã, uma oferenda de que todos os homens possam disfrutar; porém, igualmente preciosos para todos os homens: curarão o doente, consolarão o infeliz, trarão lembranças àquele que conheceu o amor, ensinarão aquele que ainda não o experimentou."

Conta, então, o narrador que, na cidade de Mitilene, na ilha de Lesbos, numa propriedade de um homem rico um guardador de cabras, chamado Lamon:
"enquanto guardava o seu rebanho, encontrou uma criança que estava a ser amamentada por uma das cabras ... era um menino, bonito e robusto..."
O pastor levou a criança para casa e criou-a como seu filho.
"E, para que o nome da criança se parecesse com o de um pastor, decidiu chamar-lhe Dáfnis"
"Passados dois anos, um pastor de uma terra vizinha chamado Driante, enquanto guardava o rebanho, também deparou com uma descoberta e espectáculo semelhante ... era uma menina... 
O pastor comprometeu-se a adoptar a criança e, sem dizer nada, a criá-la como se fosse sua filha legítima ... deu-lhe o nome de Cloé." 
[citações a partir da edição portuguesa — traduzida do francês —de  Coisas de Ler, 2006]
 
E assim estas duas crianças cresceram e foram criadas como pastores.
 
É este o pano de fundo da história de amor que se vai desenrolar nos capítulos seguintes... e que inspirou muitos artistas ao longo dos tempos.

Escondido estava o segredo da sua origem. Quem eram os seus verdadeiros pais?  ...
                                                                                        Nova tradução, a partir do grego:
                                         
Dáfnis e Cloé, escultura em mármore de Jean-Pierre Cortot (1787-1843) 
— Museu do Louvre, Paris, exibida no Salon de 1824 
(exposição de arte, Paris, 25 de Agosto de 1824 a15 de Janeiro de 1825)

 
Dáfnis e Cloé de François Boucher (1703-1770)

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