Em Férias — Lugares e Mitos

Tempo de férias é tempo de alterar as rotinas, de procurar novos percursos: no campo ou na cidade, à beira-mar ou no interior, são dias para retemperar forças, para descontrair...  mas é também ocasião propícia para alargar conhecimentos, para ingressar no passado histórico, visitar e conhecer novos locais e as suas histórias, associar lendas e mitos aos lugares visitados. Dizia Platão (Teeteto):  
 
μανθάνειν ἐστὶν τὸ σοφώτερον γίγνεσθαι περὶ ὃ μανθάνει τις 

  "aprender é tomar-se mais sábio acerca do que se aprende"


Vamos até à Grécia (Ελλάδα, em grego moderno), mesmo que só virtualmente, preparando uma visita in loco, real... 

ATENAS  —  Ἀθῆναι, Ἀθηνῶν

nome que só se usa no plural (daí ter em português o -s de formação de plural)

o θ (theta) é uma consoante aspirada, por isso o th na transcrição para o inglês Athens

 — em  grego moderno o η (vogal longa) lê-se i;

— assim : em grego moderno: Αθήνα (singular); pronúncia: Athína

Atenas — Acrópole —  Ἀθῆναι     Ἀκρόπολις

  Pártenon — templo de Atena

 

 Παρθενῶν, Παρθενῶνος : o Pártenon (habitação de virgens); παρθένος, παρθένου : virgem  


Construído entre os anos 447 e 438 a.C, com mármore branco do Monte Pentélico, era consagrado à deusa Atena; aí se encontrava a estátua de Atena Parthenos, da autoria de Fidias.
 
Atena   Ἀθηνᾶ, Ἀθηνᾶς — era a deusa protetora da cidade
 
Ἀθηνᾶ Παρθένος : a estátua que se encontrava no interior do Pártenon e que, pelas descrições que nos chegaram através de vários autores, teria cerca de 12 metros de altura e era revestida de ouro e marfim (criselefantina: de χρυσός, οῦ: ouro + ἐλέφας, ἐλέφαντος : marfim)
 
 

A Atena Varvakeion, estátua da era romana, considerada a reprodução mais fiel da estátua criselefantina da autoria de Fídias (cópia reduzida) — Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

 

ATENA era a  deusa da sabedoria, da estratégia nas batalhas, das artes, da justiça e da habilidade. Era uma das principais divindades do panteão grego, fazendo parte dos doze deuses olímpicos. O seu culto estendia-se a toda a Grécia Antiga, mesmo às colónias gregas da Ásia Menor e da Península Ibérica e norte de África.

Era filha de Zeus e de Métis. Métis, filha do Oceano e de Tétis,  foi a primeira amada do rei dos deuses. Diz-se que foi ela que deu a Zeus a droga que levou Crono a vomitar todos os filhos que tinha devorado. Quando Métis estava prestes a dar à luz, Zeus engoliu-a porque Geia e Urano lhe disseram que Métis daria à luz um filho que destronaria o pai, Zeus. Assim, Atena nasceu da cabeça do pai, já armada como uma guerreira, com a lança e a égide (uma espécie de couraça de pele de cabra). 

É como deusa guerreira que aparece em Homero, na guerra de Tróia, favorecendo os gregos porque não gostava dos troianos desde que Páris não lhe entregou o prémio de beleza. Guerreira, altiva e independente, manteve-se sempre virgem. Ainda que com características contraditórias tornou-se um símbolo da cultura ateniense, centro de várias festas em sua honra, sendo a mais importante a das Panateneias.

A ela se atribui a invenção do fabrico do azeite e a introdução da oliveira na Grécia. 

Era a soberana de Atenas, tendo vencido Posídon nessa disputa. Diz-se que cada um tentou dar à Ática o mais belo presente. Então Posídon fez brotar, no cimo da Acrópole, um lago de água salgada; Atena fez crescer uma oliveira. Os doze deuses do Olimpo, como árbitros, decidiram que a oliveira era muito mais importante e deram a Atena a soberania sobre a Ática. 

O animal preferido da deusa era a coruja e a planta a oliveira. 

 

Ainda hoje lá continua a oliveira, junto ao Erecteion (templo consagrado a Atena e a Posídon), o símbolo da paz, da prosperidade e da sabedoria, a sabedoria da deusa Atena que soube dar aos homens aquilo de que eles precisavam. É essa a verdadeira sabedoria que os Atenienses souberam honrar.



Atena tornou-se  a protectora da cidade, padroeira dos artesãos (carpinteiros, tecelões, construtores de navios e carruagens, ceramistas...), actividades que envolviam habilidade manual e inteligência prática, mas que exigiam também um sentido estético que estava incluído no domínio da sabedoria, pois, como afirma  na Ilíada, é a sabedoria e não a força bruta que produz um bom artesão.
 
A ave de Atena:
coruja-buraqueira  nome científico: Athene cunicularia
 

 

                                                            

Tetradracma (c. 480-420 a. C.) – Museu de Belas Artes de Lyon  ;  Moeda de euro — nela está inserida a tetradracma antiga

 

                                           (imagens da internet)

Moeda de Prata (288/282 a. C.) – Museu Gulbenkian (Lisboa)

Moeda proveniente da Trácia: representa-se a deusa Atena, sentada num trono, o braço esquerdo apoiado num escudo; usa capacete e segura com a mão direita a figura alada de Niké, deusa da vitória, a colocar uma coroa na primeira letra do nome de Lisímaco (Rei da Trácia, 323-281 a.C.).

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