DELFOS — o centro do mundo
Ainda em Delfos ... com Sophia:
Desde a orla do mar
Onde tudo começou intacto no primeiro dia de mim ...
Desde a sombra do bosque
Onde se ergue o espanto e o não-nome da primeira noite ...
Caminhei para Delphos
Porque acreditei que o mundo era sagrado
E tinha um centro
Que duas águias definem no bronze de um voo imóvel e pesado
Porém quando cheguei o palácio jazia disperso e destruído
As águias tinham-se ocultado no lugar da sombra mais antiga
A língua torceu-se na boca da Sibila
A água que primeiro eu escutei já não se ouvia
Só Antinoos mostrou o seu corpo assombrado
Seu nocturno meio-dia.
Delphos, Maio de 1970
Sophia de Mello Breyner Andresen
Delfos era o centro do mundo.
O que nos dizem os mitólogos sobre Delfos e Apolo:
Apolo era irmão gémeo de Ártemis, filhos de Zeus e de Leto. Hera, a ciumenta esposa de Zeus, perseguia Ártemis. Então esta, quando procurava um lugar para se esconder, foi recebida numa ilha flutuante, a ilha de Ortígia. Mais tarde, Apolo fixou a ilha e deu-lhe o nome de Delos.
Delfos é considerado o centro do mundo, porque, segundo se diz, duas águias enviadas por Zeus, uma do limite oriental do mundo e outra do ocidental, se encontraram em Delfos. Por isso, aí se encontra o umbigo do mundo (ὀμφαλός).

Esta “pedra-umbigo” estaria colocada no interior do templo de Apolo, onde só a Pítia tinha o direito de entrar. Diz-se que era aí, das fissuras da rocha, que saía “o espírito entusiasta” que ela recebia, sentada sobre o seu tripé e com a mão no omphalos.
Ao fundo dos dois enormes rochedos que dominam o local, as Fedríades, corre a fonte Castália.
Assim compreendemos os simbolismos no poema de Sophia.
Antínoo era um belo jovem grego, companheiro do imperador romano Adriano que o levava consigo para toda a parte. Tendo morrido prematuramente, foi deificado pelo imperador, e chegou mesmo a ser instituído um culto organizado em sua honra, que se espalhou por todo o império.
Antínoo — Museu Arqueológico de Delfos

Comentários
Enviar um comentário