Eco — o mito

 ECO era uma ninfa dos bosques e das fontes que morreu de amor.

Diz-se que era amada por Pã, mas ela não correspondia a esses sentimentos. Uma das versões da lenda diz-nos que Eco tinha uma grande paixão pelo belo Narciso, aquele que, orgulhoso da sua beleza, fugia do amor, afastando de si todas as jovens. Então Eco, sentindo-se desprezada, como acontecia com todas as outras, isolou-se, deixou de comer e emagreceu de tal modo que, em pouco tempo, não restava mais do que uma voz que gemia e ia repetindo as sílabas finais de cada palavra.

Eco era uma bela jovem, mas tinha um defeito: falava muito, adorava ouvir-se, e gostava de ter sempre a última palavra.

Ovídio, nas Metamorfoses, conta-nos como Eco foi castigada por Juno, esposa de Júpiter. A raiva de Juno nasceu quando descobriu que Eco ajudava Júpiter nas suas traições à esposa, distraindo Juno  com as suas conversas enquanto o rei dos deuses se divertia com as ninfas dos bosques. Juno, vingativa, puniu, de forma cruel, a jovem ninfa:

"Sobre a tua própria língua, com a qual me enganavas", disse,

"ser-te-á outorgado diminuto poder e brevíssimo uso da voz"

E confirma a ameaça com actos. Eco passou tão-só a duplicar

as palavras do fim das frases e a devolver os termos que ouve.

Quando vê Narciso a vaguear pelos campos ermos,

inflamou-se de amor.  ...

Ovídio, Metamorfoses, III, 366-371.

Assim começa Ovídio a narração da história de Eco.

 **************

O Eco

O menino pergunta ao eco
onde é que ele se esconde.
Mas o eco só responde: "Onde? Onde?"
O menino também lhe pede:
"Eco, vem passear comigo!"
Mas não sabe se o eco é amigo
ou inimigo.
Pois só lhe ouve dizer:
"Migo", "Migo".

Cecília Meireles

 

 
Eco (1874) representada pelo pintor francês Alexandre Cabanel (1823-1889) — Metropolitan Museum, Nova Iorque.


Comentários

  1. Mais uma história, muitas histórias, sobre o mito de Eco, nunca esquecido. Veja-se, por exemplo, Fernando Pessoa : " Criei-me eco e abismo, pensando"...

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  2. Continue, Isaltina, é sempre com o maior interesse que a leio. E não serei a única.

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    1. Obrigada. É o meu pequeno contributo para manter viva a cultura clássica.

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