As Musas
Porque hoje é o Dia Internacional dos Museus, falemos de Musas...
MUSEU vem do grego Μουσεῖον — literalmente, o Templo das Musas.
Passou depois a aplicar-se este nome a todos os locais destinados ao canto e à arte.
Segundo a versão mais corrente, as Musas eram filhas de Zeus e de Mnemósine, a personificação da Memória. Mnemósine era uma das Titânides, filhas de Úrano e Geia. Eram as cantoras que alegravam os deuses, presididas por Apolo, elas cantaram a vitória dos deuses olímpicos sobre os Titãs; mas eram também inspiradoras de todas as formas de Pensamento, acompanhando os reis e ditando-lhes as palavras adequadas para exprimir: a sabedoria, a eloquência, a persuasão, a bondade; mas também inspiravam a história, a matemática, a astronomia.
Havia dois tipos principais de Musas: as da Trácia, da Piéria (as Piérides), e as da Beócia, nas encostas do Monte Hélicon, a montanha sagrada das Musas. Estas são as mais dependentes de Apolo, que dirige os seus cantos em torno da Fonte de Hipocrene.
Hipocrene: quer dizer "fonte do cavalo" [ἵππος "cavalo" + κρήνη "fonte"] pois se diz que o cavalo Pégaso, do cimo do monte Hélicon bateu com o casco num rochedo e dele jorrou uma fonte. Julgava-se que a água desta fonte dava inspiração poética.
Camões, sempre baseado nos clássicos da Antiguidade, cria umas Musas nacionais, as Musas do rio Tejo — as Tágides —, que serão tão boas como as da Beócia, e pede-lhes inspiração:
E vós, Tágides minhas, ...
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene.
Os Lusíadas, I,4.
Na época clássica fixou-se o número de nove Musas, e, pouco a pouco, cada uma delas recebeu uma função determinada. Assim:
— Calíope, musa da poesia, era a primeira em dignidade
— Clio, musa da história
— Polímnia, musa da pantomima
— Euterpe, musa da flauta
— Terpsícore, da poesia ligeira e da dança
— Érato, musa da lírica coral
— Melpómene, da tragédia
— Talia, da comédia
— Urânia, da astronomia
Mas o nosso épico não põe de lado a mais importante das Musas, Calíope, e, logo no início do Canto III, assim se lhe dirige:
Agora tu, Calíope, me ensina
O que contou ao Rei o ilustre Gama;
Os Lusíadas, III, 1.
Os Museus são, portanto, a Memória de um povo, aí se conservam os documentos, os objectos, um património vivo dos costumes, da arte, da ciência, todo um legado que ilustra o presente e recorda o passado.
Mosaico das Musas, decoração do triclinium da villa Romana de Torre de Palma (Monforte) — Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa.

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