PROVÉRBIO

Vulnerant omnes ultima necat

 
Quadrante solar - Igreja de Saint-Vincent d' Urrugne (País Basco francês)
 
Relógio de Sol — Casa da Ínsua (Penalva do Castelo) - na imagem lê-se a última palavra do provérbio:necat
(imagens da internet)

Provérbio latino frequente em relógios, especialmente nos antigos relógios de sol.

Refere-se ao tempo, às horas e à nossa passagem pela vida, contando essas horas.


Tradução: Todas ferem, a última mata.


O provérbio pretende alertar-nos para o efeito que o tempo tem em nós. Todas as horas que vivemos, bem ou mal, deixam as suas marcas, mas só a última será fatal. Há, portanto, que vivê-las o melhor possível para assim podermos atrasar a “última”.

 

Por isso CARPE DIEM! 


Etimologias:

Verbo vulnerare "ferir", vulnus "ferida" — desta raiz vem o português: vulnerável

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E o provérbio inspirou o poeta:

Vulnerant Omnes, Ultima Necat


Rio perpétuo e surdo, as serras esboroas,
Serras e almas, ó Tempo! e, em mudas cataratas,
As tuas horas vão mordendo, aluindo, à toa...
Todas ferem, passando: e a derradeira mata.


Mas a vida é um favor! De crepe, ou de ouro e prata,
Da injúria ou do perdão, do opróbrio ou da coroa,
Todas as horas, para o martírio, são gratas!
Todas, para a esperança e para a fé, são boas!


Primeira, que, em meu ninho, os primeiros arrulhos
Me deste, e a minha Mãe deste um grito e um orgulho,
Bendita! E todas vós, benditas, na ânsia triste


Ou no clamor triunfal, que todas me feristes!
E bendita, que sobre a minha cova aberta
Pairas, última, ó tu que matas e libertas!

Olavo Bilac

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