As Termópilas

 Na sequência do poema do texto anterior (aqui)

TERMÓPILAS — era o nome de um desfiladeiro no norte de Grécia, na região da Fócida; na Antiguidade ficava junto à costa, com uma estreita passagem entre o desfiladeiro e o mar.

Aqui se travou a famosa Batalha das Termópilas, no ano 480 a.C., durante a 2.ª Guerra Médica, a guerra entre os Persas e os Gregos. 

Já antes Dario tinha empreendido uma campanha militar contra as cidades da Grécia, mas foi derrotado na batalha de Maratona, em 490 a.C. e morreu enquanto se preparava para a desforra.

O filho de Dario, Xerxes,  procura concretizar o sonho do pai. Reunindo um grande exército, segundo os historiadores, 100 mil guerreiros e o apoio de uma frota de 1200 embarcações, Xerxes estava confiante na derrota das grandes cidades-estado gregas. Mas estas tinham-se aliado para a resistência. Era diminuto o exército grego face ao invasor, mas grande a força e a preparação.

Segundo a tradição, que foi transmitida ao longo dos séculos, Leónidas que comandava o exército das cidades aliadas, ordenou à força do seu exército que se retirasse, enquanto esperavam a chegada de novos aliados, de outras cidades gregas, ficando ele, com um pequeno número de soldados, para enfrentar o avanço dos Persas, que, informados pelo traidor Efialtes, da Trácia, encontraram o caminho para os atacar. Os Lacedemónios resistiram heroicamente até à morte.

De seguida, os Persas avançaram pela Ática, devastando tudo o que encontravam, e destruíram Atenas, cujos habitantes tinham antes sido retirados.  Os gregos organizados e com uma poderosa frota, ajudados pela astúcia do ateniense Temístocles, atraem Xerxes para uma batalha naval na baía de Salamina, onde os Persas sofrem uma pesada derrota. 

Em terra vêm a sofrer outra grande derrota na batalha de Plateias (479 a.C.). Deste modo, derrotados em terra e no mar, os Persas perdem para sempre o controle do mar Egeu.

 

A batalha das Termópilas ficou como um exemplo de resistência, de heroísmo, de "vencer ou morrer" e Leónidas apontado como o rei exemplar que se sacrifica e não abandona os seus soldados.

Heródoto diz-nos que os próprios inimigos se espantavam com a força e a determinação dos espartanos, com a forma como enfrentavam a luta, pois os Lacedemónios:

"reunidos em tropas, são os mais valentes de todos. Apesar de livres, não o são de todo: estão sujeitos a um soberano — a lei — ... de facto, fazem tudo o que ela lhes mandar, e ela manda-lhes sempre o mesmo: que não lhes é permitido fugir do campo de batalha, ainda que seja grande a avalanche dos inimigos; devem conservar o seu posto, e vencer ou perecer..."

Entre os poetas gregos da Antiguidade, os heróis das Termópilas foram celebrados nos poemas de Simónides de Ceos, no século  VI-V a.C.


Os heróis das Termópilas

Dos que morreram nas Termópilas,

glorioso é o destino, bela a morte.

É seu túmulo um altar; em vez de gemidos, a sua lembrança; o pranto se volve em elogio.

Esta pedra tumular

não a destruirá o bolor, nem o tempo que tudo vence.

Esta sepultura de homens corajosos escolheu para a guardar

a fama excelsa da Grécia. Testemunha-o Leónidas,

rei de Esparta, que deixou o ornamento de uma grande valentia

e um renome imperecível.

  Simónides de Ceos (frg. 5 Diehl) — trad. de M.H. da Rocha Pereira)

 

Epitáfio das Termópilas

Estrangeiro, vai contar aos Lacedemónios que jazemos

      aqui, por obedecermos às suas normas.

 

  Simónides de Ceos (frg. 92 Diehl) — trad. de M.H. da Rocha Pereira)

 

No local das Termópilas, actualmente já distante do mar, foi construído um memorial a Leónidas e aos seus valentes soldados.

(foto da internet)
 
Estátua de Leónidas - no Memorial erigido no local da batalha das Termópilas, inaugurado em 1955.
No pedestal, a inscrição alusiva à resposta de Leónidas, quando foi intimado por Xerxes a entregar as armas, logo no início da batalha; Leónidas terá respondido, no seu característico laconismo, μολὼν λαβέ, isto é "vem e toma-as", desafiando Xerxes a ir ele próprio buscá-las, se tiver coragem. E assim a batalha continuou até ao sacrifício final.

Comentários

  1. Rivalidades e guerras sempre as houve, "desde que o Mundo é Mundo". Com as naturais mudanças, o Homem continua igual a ele próprio, para o melhor e para o pior. Que melhor o ilustra doque

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  2. Que melhor o ilustra do que aquilo a que estamos a assistir/ viver hoje? Infelizmente, também o mal perdura!

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    1. Infelizmente, os avanços da civilização foram também nos "requintes" da maldade.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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