Juramento de Hipócrates
Nestes meses de Maio/Junho, fim de ano lectivo, para muitos final de curso, para além dos festejos académicos, é habitual também, na classe médica, a cerimónia do Juramento (o Juramento de Hipócrates).
A prática vem de longe. Remonta à antiga Grécia, ao século V a.C., àquele que é considerado o "Pai da Medicina", Hipócrates de Cós.
Hipócrates:médico grego, nascido na ilha de Cós, por volta de 460 a.C., faleceu por volta de 370 a.C.
A colecção dos seus escritos médicos — Corpus Hippocraticum — e sobre os quais não há certeza de que tenham sido escritos por ele, reúne à volta de 60 tratados, em dialeto jónico, compilados, na sua maioria, entre 430 e 330 a.C.
Famosos são os seus Aforismos:
" A vida é breve, a arte longa, a ocasião fugaz, a experiência duvidosa, o julgamento difícil."
(trad. de M.H.da Rocha Pereira, Hélade - Antologia da Cultura Grega)
O Juramento de Hipócrates parece ter a sua origem num grupo particular de médicos.
Chegou até hoje, esse juramento solene daqueles que vão exercer a profissão, e o nome daquele que é considerado o pai da medicina prevalece.
Vejamos, em tradução, o texto de Hipócrates:
"Juro por Apolo Médico e Asclépios, por Higeia e Panaceia e por todos os deuses e deusas, tomando-os por testemunhas, que cumprirei este juramento e compromisso, conforme as minhas forças e o meu entendimento. Terei pelo meu mestre nesta arte consideração igual à que tributo aos meus pais; compartilharei da sua vida; quando estiver falto de meios, eu lhos porei à disposição; estimarei a sua família, como se meus irmãos foram; e lhes ensinarei esta arte se carecerem de aprendê-la, sem salário e sem contrato; proporcionarei ensinamentos escritos, orais e de toda a outra espécie, aos meus filhos e aos do meu mestre e aos alunos inscritos, que prestaram juramento segundo a lei médica, e a mais ninguém.
Usarei tratamentos para ajudar os que sofrem, segundo as minhas forças e o meu entendimento, afastando a possibilidade de injúria ou injustiça.
Não darei veneno mortal algum a quem mo pedir, nem fornecerei tal conselho. Igualmente me absterei de dar a uma mulher um pessário abortivo. Mas conservarei pura e santa a minha vida e a minha arte.
Em quantas casas entrar, irei para auxiliar os doentes, longe de qualquer injustiça ou malefício voluntário, especialmente abusar dos corpos das mulheres ou homens, livres ou escravos.
Aquilo que eu vir e ouvir no exercício da minha profissão, ou mesmo fora dela, na vida corrente, que não convier divulgar, calá-lo-ei, entendendo que não se deve dizer.
Se eu cumprir com rigor este juramento, e não o violar, seja-me concedido que eu ganhe para sempre fama, entre os homens, pela minha vida e pela minha arte. Se o transgredir e for perjuro, o contrário e suceda."
(trad. de M.H.da Rocha Pereira, Hélade - Antologia da Cultura Grega)
Como testemunhas do juramento:
Apolo: divindade multifacetada, com inúmeros atributos; filho de Zeus e de Latona, era o deus da música e da poesia, conduzia o coro das Musas; era também o deus da adivinhação, venerado e procurado no oráculo de Delfos; era um deus guerreiro, com intervenção na guerra de Tróia, por exemplo, ao enviar uma peste que dizimava os gregos, como castigo por terem desrespeitado o seu sacerdote; estava também ligado à medicina.
Asclépio (Esculápio, entre os Romanos): é o deus da medicina; era filho de Apolo; foi educado pelo centauro Quíron, que lhe ensinou a medicina. Tinha como insígnias principais um pau com serpentes enroladas.
É o padroeiro dos médicos.
O símbolo da Medicina — a vara de Asclépio
Higeia ou Higia (em grego:ὑγίεια "saúde") : é a personificação da saúde; é, normalmente, considerada como filha de Asclépio.
Panaceia (em grego: πανάκεια "remédio para todos os males"): simboliza a cura universal, através das plantas; é outra das filhas de Asclépio, irmã de Higia.
em português, o vocábulo panaceia designa algo que "é remédio para tudo", vindo do nome da planta, e da divindade que, com as suas plantas, curava todas as doenças
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O Juramento de Hipócrates da actualidade (versão adoptada em 2017):
“Como membro da profissão médica:
– Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da humanidade;
– A saúde e o bem-estar do meu doente serão as minhas primeiras preocupações;
– Respeitarei a autonomia e a dignidade do meu doente;
– Guardarei o máximo respeito pela vida humana;
– Não permitirei que considerações sobre idade, doença ou deficiência, crença religiosa, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, estatuto social ou qualquer outro fator se interponham entre o meu dever e o meu doente;
– Respeitarei os segredos que me forem confiados, mesmo após a morte do doente;
– Exercerei a minha profissão com consciência e dignidade e de acordo com as boas práticas médicas;
– Fomentarei a honra e as nobres tradições da profissão médica;
– Guardarei respeito e gratidão aos meus mestres, colegas e alunos pelo que lhes é devido;
– Partilharei os meus conhecimentos médicos em benefício dos doentes e da melhoria dos cuidados de saúde;
– Cuidarei da minha saúde, bem-estar e capacidades para prestar cuidados da maior qualidade;
– Não usarei os meus conhecimentos médicos para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;
Faço estas promessas solenemente, livremente e sob palavra de honra.
(fonte:Revista da Ordem dos Médicos https://ordemdosmedicos.pt/files/pdfs/USpx-ROM218.pdf)

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