Livros e Leituras

LIVROS E LEITURAS

Continuando a falar da leitura, da leitura de bons livros, apresento o último livro da escritora e classicista espanhola Irene Vallejo, o Manifesto pela Leitura.

Em entrevista ao jornal Público, em 14 de Junho de 2026 (ler aqui), a autora pronunciava-se sobre os livros e a sua importância:

Creio que o papel dos livros na socie­dade se trans­forma em fun­ção das neces­si­da­des e das con­di­ções de cada época. Eu, que estu­dei os livros ao longo dos sécu­los, per­cebi que o seu papel na socie­dade está sem­pre em trans­for­ma­ção depen­dendo do que é exi­gido em ter­mos de comu­ni­ca­ção, por exem­plo, de quão escasso é ou não é o acesso ao saber. Gosto de insis­tir que a força do livro é a sua capa­ci­dade de adap­ta­ção e de meta­mor­fose. Quase que a única coisa que se man­teve intacta ao longo dos anos foi o facto de o livro ser um veí­culo para a con­ser­va­ção de conhe­ci­mento, como um cofre, para que o conhe­ci­mento não caísse no esque­ci­mento.

— Irene Vallejo, Manifesto pela Leitura, Bertrand Editora, 2026. 

Alguns parágrafos a destacar:

— O hábito de ler não faz necessariamente com que sejamos melhores pessoas, mas ensina-nos  a observar com o olhar da mente a vastidão do mundo e a imensa variedade de situações e seres que o habitam. (p. 24)

— Ler ensina-nos a falar, educa-nos na arte do diálogo. (p. 27)

— O livro é, sem dúvida, a maior obra da Humanidade. (p. 40)

— Atravessamos tempos de crise, de mudança, de incertezas. E é precisamente nessas encruzilhadas que precisamos de prestar atenção aos livros, às linhas que nos chegam do passado: nada do que vivemos acontece pela primeira vez. Na memória da escrita encontramos as marcas da experiência humana, que sobreviveram muitas vezes a secas, fome, pestes, traumas e guerras. (p. 49)

— Filho deste milénio agitado, o nosso imaginário está colonizado pela velocidade, o imediatismo, a multiplicação. (p. 50)

— As ideias que sustentam a nossa racionalidade precisam de tempo, silêncio e sossego para se desenvolverem. Como escreveu o historiador romano Tácito: " A verdade consolida-se com a investigação e a demora; a falsidade, com a pressa e a incerteza.

Tomados pela pressa, deixámos de lado a educação da paciência. Podemos chamar a esta falta de serenidade cognitiva 'crise de distração'.  (p. 51)

 
 
Outros livros de Irene Vallejo:
O Infinito num Junco - A invenção do livro na Antiguidade e o nascer da sede de leitura, Bertrand Editora, 2020.
O Silvo do Arqueiro, Bertrand Editora, 2022.
Alguém falou sobre nós, Bertrand Editora, 2023.
O Futuro Recordado, Bertrand Editora, 2024.

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