O Livro e a Leitura - fontes de conhecimento

Entre 24 e 29 de Junho, a cidade do Porto, em festa, festeja o livro e a cultura. O evento chama-se Babel.

Trata-se, de acordo com a organização, de um importante evento cultural, que se apresenta com um programa rico e variado, de leitura, conversas com escritores e críticos literários, música, colóquios, exposições. E sempre o LIVRO — ele é mesmo o bilhete de entrada, a moeda de troca: compra um livro, leva-o consigo e recebe o ingresso. 

Só podemos desejar que cresça e frutifique, notoriamente, no futuro, a semente de todo este programa — que, para lá do aspecto económico que sempre preside a estes eventos, se colha a promoção da leitura, o gosto e o "apetite" pelo livro, o interesse pelo conhecimento que do livro emana.

Lê-se na apresentação do Programa:

Em tempo de incompreensões, ódios e conflitos, BABELL, com dois LL, lembra o mito bíblico da Torre de Babel, para afirmar a diversidade cultural e linguística como riqueza maior da humanidade e não o contrário.

Por outro lado, por entender que, no que toca a livros e à leitura, quanto mais, melhor, inspira-se no conceito de biblioteca infinita, criado por Jorge Luis Borges, no famoso conto “A Biblioteca de Babel”, um paraíso de diversidade e criação, para sonhar o Porto como Cidade-Livro, um lugar em que o livro impere.

... o BABELL é uma arma de fazer o bem, uma arma que dispara abrandamento, concentração, conhecimento, pensamento crítico, debate, imaginação e empatiaalgumas das múltiplas faces da leitura. ... o BABELL propõe-se levar milhares de pessoas às livrarias da cidade do Porto, convida-as a conviverem mais com livros e a deixarem-se seduzir por eles – a olharem-nos, a lerem-lhes os dizeres das capas, a sentirem-lhes o cheiro e a tocarem-lhes. 

Sublinhe-se: a necessidade do abrandamento, a pausa que a leitura nos exige, neste mundo de pressa, de velocidade desenfreada; a urgência de concentração, para reflectir, para interiorizar, para repensar atitudes, pensamentos, ideias, nesta "civilização do ligeiro", como a designa Lipovetski. Assim chegamos ao conhecimento que o livro nos traz, e que só podemos fazer nosso, através dessa pausa reflectida, com concentração, para analisar, compreender, confrontar com espírito crítico; mas também a sedução, a emoção da beleza, a beleza que a palavra nos transmite e que eleva o espírito e nos faz voar, sonhar, imaginar outros mundos, outros céus...

E se lembrarmos que Sócrates dizia que sábio é aquele que reconhece a sua ignorância, e Sólon afirmava "envelheço aprendendo sempre muitas coisas", não esqueçamos que a cultura, a literatura, as "belas letras", são companhia ideal em todas as situações, em todos os lugares, em todas as idades, como defendia Cícero:

É que as outras nem são de todos os momentos, nem de todas as idades nem de todos os lugares, ao passo que estes estudos alimentam a adolescência e recreiam a velhice; são o ornamento da ventura e dão refúgio e consolação na desventura; deleitam-nos em casa e não nos embaraçam fora dela; pernoitam connosco, seguem-nos em viagem, acompanham-nos no campo.

Cícero, Pro Archia (em defesa do poeta Árquias)- tradução de C.A. Louro Fonseca, Editorial Verbo.

A Leitora, Jean-Honoré Fragonard (1732-1806) - National Gallery, Washington

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