ORFEU E EURÍDICE

Os mitos que inspiram grandes obras de todos os tempos

 

Orfeu e Eurídice encerra Festival de Ópera de Óbidos 2026 (notícia aqui)

Orfeo ed Euridice: ópera em três actos de Christoph Willibald Gluck (compositor alemão, 1714-1787), com libreto de Ranieri de’ Calzabigi (1714 – 1795), sobe ao palco nos dias 19 e 20 de Setembro, apresentando uma nova leitura de um dos mais conhecidos mitos da Antiguidade.

"Uma viagem entre a vida e a morte

Inspirada no mito grego de Orfeu e Eurídice, a obra acompanha a descida de Orfeu ao submundo na tentativa de recuperar a mulher que ama.

A narrativa desenvolve-se numa permanente tensão entre vida e morte, luz e trevas, amor e perda, colocando a música no centro de uma viagem marcada pela esperança e pela tentativa de superar aquilo que parece impossível.

Considerada uma obra fundamental do período Clássico e um marco na reforma da ópera, Orfeo ed Euridice distingue-se pela clareza dramática e pela intensidade expressiva.

Na produção concebida para Óbidos, o encenador Carlos Antunes reúne solistas, coro, orquestra e dança, acrescentando uma componente visual assente no vídeo, numa abordagem contemporânea ao mito clássico.

A componente coreográfica assume igualmente um papel relevante nesta produção. À encenação e cenografia de Carlos Antunes junta-se um corpo de dez bailarinos, com coreografia de Teresa Simas, estabelecendo um diálogo entre canto, música e movimento.

O Coro Voces Cælestes representa as diferentes figuras que acompanham Orfeu ao longo da sua jornada, desde pastores e ninfas às fúrias e espectros infernais, passando pelos heróis e heroínas dos Campos Elísios."

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Já pouco lhes faltava para a orla das regiões superiores,

quando ele, receoso de ela não vir atrás e ansioso por vê-la,

voltou o olhar, apaixonado. De súbito, ela desliza para trás.

Esticando os braços, lutando por agarrar-se e ser agarrada,

a desgraçada nada apanhou, a não ser o ar fugidio.

E agora, morrendo por segunda vez, de nada se queixou

do marido (de que se queixaria, a não ser de ser amada?).

Dizendo um derradeiro "Adeus!", que já a muito custo

ele ainda ouviu, volveu de volta ao local de onde partira.

Ovídio, Metamorfoses, X,55-63.

Edward John Poynter (1836-1919), Orfeu e Eurídice (1862)

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