"Toda a Beleza do Mundo"
Um livro que fala de beleza, de arte, de imaginação e de Museus com toda a beleza que albergam.
Porque LER uma obra de arte vai muito para lá de uma descrição, de um simples olhar.
A observação de um quadro, de uma escultura transporta-nos para um outro patamar, desperta-nos para um mundo de beleza, de inspiração poética. Sentimos o chamamento do Belo — é isso que o o Nobel da literatura de 2025, o húngaro László Kras Sznahorkai, designa como "o elemento do transcendente".
A Arte obriga-nos a pensar.
Patrick Bringley em Toda a Beleza do Mundo percorre o Museu Metropolitano de Arte, de Nova Iorque, e fala-nos do que vê, mas, principalmente, do que SENTE.
Partindo do privilégio de trabalhar como vigilante num lugar repleto de Arte, vai percorrendo épocas e civilizações, deleitando-se com o que observa e nos conta, numa obra que o The Sunday Times classificou como "O livro de arte mais notável do ano".
Patrick Bringley, Toda a Beleza do Mundo, Minotauro, 2026.
Destacam-se alguns parágrafos significativos:
"O meu primeiro sentimento em relação à arte foi o de que pertencia a uma espécie de mundo à parte, iluminado pela Lua."
"Adoro a sensação de estar sentado em frente a uma obra de arte."
"Ando a ler um livro sobre a história do Egito e lembro-me, mais uma vez, da diferença entre a experiência de ler livros e a de ver arte. As informações do livro fizeram aumentar os meus conhecimentos sobre o Egito. Em contrapartida, entrar em contacto com um fragmento real parece, sobretudo, deixar-me a pensar. Este é um aspecto essencial de uma obra de arte: não se pode esvaziá-la do seu conteúdo e seguir em frente. Parece desprezar um mundo onde ter algumas informações sobre um assunto é considerado pouco impressionante. De facto, se há coisa que uma obra de arte não faz é transmitir algumas informações, em vez disso, tende a falar de coisas que são, simultaneamente, demasiado grandes e demasiado íntimas para serem resumidas, e fala delas não falando de todo."
Nas salas dedicadas à Antiguidade Grega e Romana, depara-se, certo dia, com um pequeno grupo de jovens estudantes que ali estavam para preparar um trabalho escolar.
"Dou-lhes uma palavra para usarem no trabalho: a palavra grega epifania, que descreve a visita de um deus. Os gregos estavam sempre a ter epifanias, explico, tanto em sonhos como acordados.
Levo-os até à cabeça da chamada Atena Médici, uma antiga cópia romana de uma obra-prima, agora perdida, do escultor clássico Fídias (o corpo desta versão também se perdeu). Juntos, olhamos para um rosto plácido e impassível, mas não fixo ou congelado — uma visão flexível e impressionante de como era a deusa da sabedoria, com a sua beleza feita de robustez e força.
— Atena era a deusa de um tipo especial de sabedoria — digo-lhes. — Já leram a Odisseia? Leram, perfeito. Na Odisseia, Atena aparece sempre que Odisseu precisa de uma injeção de confiança e de inspiração. Conhecem a sensação... Estão perdidos, a sentirem-se em baixo e, de repente, o vosso estado de espírito ilumina-se e têm a energia, a coragem e a clareza necessárias para fazerem algo que parecia impossível momentos antes. Nos dias de hoje, pensaríamos que a mudança veio de dentro de nós, mas os Gregos não acreditavam nisso. Para eles, todas as forças tinham origem no mundo exterior, forças poderosas e imprevisíveis que se apoderavam das emoções das pessoas tal como controlavam os seus destinos. Atena, por vezes, era chamada a deusa da proximidade, devido à forma como conseguia penetrar e transformar as mentes — faço um gesto para o rosto — para melhor, não acham? Olhem para ela um pouco. Vejam como os Gregos achavam que era a sabedoria. Vejam se ela melhora o vosso estado de espírito.
Talvez estejam a ser condescendentes comigo, mas acenam com a cabeça como se eu estivesse a fazer sentido e anotam frases nos cadernos, enquanto circulam à volta da cabeça. ...
Quanto mais tempo passo no MET, mais me convenço de que não é um museu de História da Arte , ou esse não é o seu papel principal. ...
Acredito que levamos a arte a sério quando tentamos discernir o que, de perto, ela revela."
"A arte deriva frequentemente daqueles momentos em que gostaríamos que o mundo parasse. Apercebemo-nos de algo tão belo, ou verdadeiro, ou majestoso, ou triste, que não conseguimos simplesmente aceitá-lo de forma pacífica. Os artistas criam registos de momentos transitórios, parecendo parar os seus relógios. Ajudam-nos a acreditar que algumas coisas não são de todo transitórias, mas que permanecem belas, verdadeiras, majestosas, tristes ou alegres ao longo de muitas vidas. ...
A arte tem que ver tanto com a simplicidade como com o mistério, recordando-nos o óbvio, explorando o esquecido. ...
Por vezes. a vida pode ser uma questão de simplicidade e de quietude, como um vigilante no meio de obras de arte cintilantes. Mas também tem que ver com o trabalho imenso de viver, de lutar, de crescer e de criar. "
A Atena Médici é uma famosa escultura de mármore do período imperial romano (século I ao II d.C.), que sobreviveu através de múltiplas cópias de um original grego clássico perdido.
A estátua é atribuída ao escultor grego Fídias ou a um de seus discípulos.
Atena Médici — Estátua Completa : A única cópia romana que sobreviveu com o torso e a cabeça unidos (denominada Pallas Pacifera) está na coleção da Fundação Casa Ducal de Medinaceli, em Sevilha.


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