NO DIA MUNDIAL DO PROFESSOR
O professor na Antiga Roma — os métodos pedagógicos
O poeta Horácio (século I a.C.), numa carta dirigida ao imperador Augusto, recorda o seu mestre Orbílio chamando-lhe plagosus — plagosus Orbilius
Ao referir-se aos poetas que então estudavam diz:
Non equidem insector delendaue carmina Liui
esse reor, memini quae plagosum mihi paruo
Orbilium dictare
Horácio, Epistolae,
2, 1, 69-71.
Tradução:
Decerto não censuro nem penso que devam ser destruídos os poemas
de Lívio < Andronico>, os quais recordo, que a mim, pequeno, o bordoante
Orbílio ditou;
(tradução de Frederico Lourenço)
O adjectivo plagosus vem de plaga “golpe”, “pancada”, nome que significa também “ferida, chaga”
logo, plagosus é aquele que gosta de bater, de dar pancada
Veja-se o português:
chaga vindo do latim plaga (com a palatalização do grupo consonântico -pl- que passou a -ch-)
Também o biógrafo Suetónio, um século mais tarde, na sua obra sobre os Gramáticos Ilustres nos fala de Orbílio, dizendo que ele foi para Roma durante o consulado se Cícero e que só se dedicou ao ensino já com a idade de 50 anos.
Refere que ele alcançou "mais fama do que fortuna", pois na velhice se dizia pobre.
Num livro que escreveu, Orbílio queixava-se das injustiças cometidas contra os professores por causa da negligência e das pretensões dos pais (neglegentia aut ambitione parentum).
Diz-nos ainda Suetónio que Orbílio era muito violento e que isso se manifestava nas atitudes com os alunos a quem batia com a férula e o chicote.
No século I d.C., Quintiliano enuncia algumas das qualidades de um bom professor:
— Que ele adquira, antes de tudo, perante os seus discípulos, a disposição de um pai, e pense que toma o lugar daqueles que lhe confiaram os filhos.
— Que ele, pessoalmente, nem tenha nem suporte vícios.
— Que não seja propenso à ira, sem contudo passar por alto os actos que carecem de castigo: simples a ensinar, resistente ao esforço, mais assíduo do que moderado.
— Que responda de bom grado às perguntas, e as faça ele mesmo a quem não perguntar nada.
— No louvor dos discursos dos discípulos, não seja malevolente nem pródigo, porque uma atitude dá origem à aversão ao trabalho, a outra à suficiência.
— Ao emendar o que é preciso corrigir, não seja acerbo e muito menos irritante, pois sem dúvida que isso afasta muita gente do propósito de estudar, porque censuram como se tivessem ódio.
— Ele mesmo deve até falar muito todos os dias, para que os ouvintes levem consigo esse modelo. Pois, ainda que forneça, na leitura, número suficiente de exemplos, contudo de viva voz, como é costume dizer-se, o aprendizado rende mais em cheio, sobretudo o do mestre que os discípulos, se forem correctamente instruídos, amam e respeitam.
Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira, Romana – Antologia da Cultura Latina.
Há coisas que nunca mudam... sejam boas ou más...
Se compararmos
com o nosso tempo, verificamos a continuidade de alguns costumes... nas
atitudes dos pais ... ou nas características que deve ter um bom
professor, na opinião de Quintiliano.
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