PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA

O Prémio Nobel da Literatura 2026 foi atribuído à escritora canadiana Anne Carson.

Anne Carson é uma classicista, especialista em grego antigo e literatura grega.

Professora, ensaísta, tradutora, poetisa, “Anne Carson nasceu no Canadá e ganha a vida a ensinar grego antigo", assim era apresentada na contracapa dos seus livros. Tem uma vasta obra e acumula já muitos prémios.

A Academia Sueca explica o que levou à atribuição do Nobel:

"Quase toda a sua produção literária se centra no cruzamento entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o anseio do poeta por novos significados. Ela própria identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra"

“obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.

Num texto de Maria João Caetano (ver aqui), destaca-se a sua ligação aos estudos clássicos, o despertar para a poesia grega, os seus sonhos desde menina: 


Nascida em Toronto em 1950, Anne Carson teria uns 15 anos quando, numa livraria num centro comercial, encontrou uma edição bilingue de Safo, com o grego à esquerda e o inglês à direita. “Parecia-me tão fascinante que quis saber mais sobre aquilo”, contou. Além disso, naquela altura, era fascinada por Oscar Wilde: “Imaginava-me como um Oscar Wilde renascido e toda a vida intelectual na época de Oscar Wilde - que incluía muito latim e grego - era uma espécie de mito para mim. Pensei: se aprender grego, poderei ser ainda mais parecida com o Oscar Wilde. Parecia o próximo passo natural.”

Aprendeu língua grega durante o ensino secundário, com uma professora que lhe dava aulas em casa, e apaixonou-se por ela imediatamente. Desde então, tem passado grande parte da sua vida intelectual mergulhada nas palavras e no mundo da antiguidade clássica e ao mesmo tempo a procurar relações com o mundo que a rodeia e com a língua que fala no dia a dia, o inglês.

Passou um ano a estudar métrica grega e crítica textual grega na Universidade de St Andrews, onde em 1986 se doutorou com uma tese sobre Safo, que foi publicada como “Eros, amargo e doce: um ensaio”.

Especialista em cultura e línguas clássicas e em literatura comparada, antropologia, história e artes, Anne Carson foi professora de Literatura Clássica e Comparada em diversas universidades - algo que sempre adorou fazer - e ​é uma reconhecida ensaísta, tradutora de Ésquilo, Catulo, Eurípides, Homero, Íbico, Mimnermo, Safo, Simónides, Sófocles, Estésicoro e Tucídides.

A aproximação à literatura grega antiga acontece também na sua escrita, tanto a nível formal como temático. Na sua opinião, os autores antigos “estão na origem das coisas que depois cresceram e deram origem às árvores onde agora vivemos — são frescos, as ideias ainda têm orvalho. E, milhares de anos depois, as nossas ideias ainda guardam algo disso.”


“Sinto que é uma espécie de paixão minha afastar-me de qualquer conjunto de informações que tenha quando emito opiniões”, explicou numa outra entrevista. “E acho que a atividade poética é uma forma de o fazer — quando se pensa poeticamente, salta-se do edifício; não se acumulam dados para depois avançar de ponto em ponto, tem-se simplesmente de saber o que se sabe naquele momento. Há algo de libertador nisso.”


Em Portugal, além de “Eros, o amargo e doce”, publicado em 2024 pelas Edições 70, e da peça de teatro “Antigotriz”, editada em 2023 pela Companhia das Ilhas, a obra poética de Anne Carson está a ser publicada desde 2020 pela não (edições), estando já nas livrarias “A Beleza do Marido”, “Autobiografia do Vermelho”, “Vidro Ironia e Deus”, “Agualisa” e “Homem nas Horas Vagas”.


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